Os embarques de carne bovina do país alcançaram 233,5 mil toneladas e renderam US$ 1,36 bilhão em agosto, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Em relação ao mesmo mês do ano passado, o volume caiu 22,2% e a receita foi 15,2% inferior.
De acordo com a Abiec, as quedas foi determinadas sobretudo pela redução das compras da China, em virtude das salvaguardas impostas por Pequim. Em agosto, o país asiático recebeu apenas 18,9 mil toneladas de carne bovina do Brasil, uma queda de 88,2% na comparação com um ano antes. O valor dessas exportações recuou 88,6%, para US$ 101,9 milhões.
“A mudança de ritmo está diretamente ligada ao esgotamento da cota estabelecida pela salvaguarda chinesa. A indústria considera que o limite já foi integralmente atingido desde o início de julho, levando em conta os volumes embarcados e as cargas em trânsito. A diferença em relação aos cerca de 92% apontados pelas autoridades chinesas ocorre porque a utilização da cota é contabilizada no desembarque. Como o trânsito entre Brasil e China pode levar cerca de 40 a 45 dias, parte relevante do volume já exportado ainda não aparece nas estatísticas chinesas”, informou a Abiec, em nota.
Com o arrefecimento dos embarques à China, os Estados Unidos foram o principal destino das exportações brasileiras em agosto. Os EUA, que atravessam prolongado período de escassez de gado, importaram 35,3 mil toneladas no mês, com crescimentos de 276% em relação a agosto de 2025. Em seguida veio União Europeia, com 23,4 mil toneladas (+108,6%), Rússia, com 22 mil toneladas (+54,5%) e Chile, com 17,4 mil toneladas (+44,4%).
Para a UE, contudo, o ritmo já foi interrompido no início deste mês, em virtude da barreira erguida pelo bloco à carne bovina brasileira em virtude de divergências sobre o uso de antimicrobianos.
De janeiro a agosto, conforme a Abiec, o Brasil exportou 2,202 milhões de toneladas de carne bovina, com crescimento de 5,3% sobre o mesmo período de 2025. A receita acumulada chegou a US$ 12,79 bilhões, com avanço de 21,7%. Mesmo com a salvaguarda, a China respondeu por 40,8% do volume embarcado nos primeiros oito meses do ano.
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