São positivas as perspectivas da indústria de aves e suínos do país para seus resultados em 2025 e 2026, em que pesem os problemas de curto prazo provocados pelos embargos temporários erguidos por importadores sobretudo à carne de frango, em decorrência da confirmação do primeiro caso – já superado – de influenza aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial no Brasil, há pouco mais de três meses em Montenegro (RS).
Em conversa com jornalistas nesta quarta-feira, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) ajustou suas previsões para produção, exportação e consumo interno de carnes de frango e suína e de ovos para o acumulado deste ano e para o próximo. A maior mudança no quadro de 2025 em relação ao cenário traçado em dezembro de 2024, como não poderia deixar de ser, está nos embarques de carne de frango, mas mesmo assim a queda que passou a será projetada agora pode ser considerada pequena, quase um soluço.
Segundo os novos números da ABPA, as exportações da proteína deverão alcançar até 5,2 milhões de toneladas, em baixa de 2%, no máximo, na comparação com 2024 – de janeiro a julho, o volume chegou a 3 milhões de toneladas, 1,7% menos que em igual intervalo de 2024. “Estamos saindo da maior crise da história do segmento de aves de maneira forte. O patamar das exportações ainda é muito positivo, em grande parte graças à diversificação de mercados”, disse Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Ele lembrou que outros exportadores que registraram e/ou ainda convivem com a gripe aviária, como os Estados Unidos e a União Europeia, enfrentaram quedas expressivas de exportações e produção, e esse não é o caso do Brasil. “Uma queda de apenas 2% das nossas exportações é uma grande vitória”, afirmou. E, também em virtude de um mercado interno firme, embalado pela melhora do panorama macroeconômico, a produção doméstica continuará a crescer.
De acordo com a ABPA, a produção brasileira de carne de frango tende a atingir até 15,4 milhões de toneladas em 2025, até 3% mais que em 2024. Já o consumo per capita anual no país deverá saltar de 45,5 quilos para até 47,8 quilos na comparação, permanecendo nesse mesmo nível em 2026. No ano que vem, a entidade estima que a produção saltará para até 15,7 milhões (+2%) e que as exportações, desde que normalizado o fluxo de entregas para destinos como China e UE , que continuam a barrar o produto brasileiro – a grande maioria do comércio já está normalizada -, aumentarão para até 5,5 milhões de toneladas (+5,8% ante 2025).
Colabora para esse horizonte positivo o fato de os custos de produção estarem mais baixos, graças a boas colheitas de soja e milho, que na safra 2024/25 bateram novos recordes históricos e têm tudo para repetir a dose na temporada 2025/26 – que, no caso do cereal, já está em fase inicial de plantio no Rio Grande do Sul. Se as taxas de juros voltarem a recuar, como já acontece com a inflação, será a cereja do bolo.
CARNE SUÍNA
No tabuleiro da carne suína, a ABPA, calcula que a produção do Brasil somará até 5,42 milhões de toneladas em 2025, o que representaria um avanço de 2,2% sobre 2024, que as exportações chegarão a até 1,45 milhão de toneladas (+até 7,2%) e que o consumo per capita permanecerá relativamente estável em 18,7 quilos. Para 2026, a entidade prevê nos incrementos de produção (até +2,4%, para até 5,55 milhões de toneladas) e das exportações (até +7%, para até 1,55 milhão de toneladas). Para o consumo interno, a tendência é de nova estabilidade.
De acordo com Santin, os fortes avanços previstos para as exportações em 2025 e 2026 podem ser explicados principalmente pela reconfiguração dos mercados de destino, com destaque para a ascensão de Filipinas, México e Cingapura, entre outros. É verdade que a oferta exportável da UE está menor, mas os EUA, em contrapartida, estão ampliando suas vendas ao exterior. Enquanto isso, a China continua a consolidar sua produção domésticas nos níveis anterior à crise provocada pela peste suína africana.
OVOS
Para os ovos, a ABPA espera que a produção cresça até 7,5% em 2025, para até 62 bilhões de unidades, que as exportações aumentem até 116,6%, para até 40 mil toneladas, e que o consumo per capita suba até 7,1%, para até 288 unidades por habitante – o que garante o Brasil na lista dos dez maiores consumidores do mundo. Para 2026, mesmo com as tarifas adicionais que passaram a incidir sobre os produtos do país nos EUA, importante destino para a proteína, as projeções são de novos avanços para produção (até 4,8%), exportações (até 12,5%) e consumo per capita (até 6,3%).
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