Alta da receita agrícola da soja tende a ser anulada por queda do milho, diz MacroSector

No total, consultoria calcula que grãos e lavouras permanentes alcançarão receita de R$ 1,05 trilhão em 2026 no país, 1,7% menos que em 2025
Fernando Lopes
Soja voltará a liderar a receita agrícola no país (foto: Jaelson Lucas/AEN)

Estabilidade para os grãos, mas queda para as culturas permanentes. A partir desse cenário inicial, a MacroSector projeta que a receita agrícola das principais lavouras do país totalizará R$ 1,052 trilhão em 2026, com leve queda de 1,7% em relação ao resultado calculado pela consultoria para 2025 (R$ 1,07 trilhão), que foi 12,9% superior ao de 2024 (R$ 948 bilhões), graças, sobretudo, ao aumento do volume de produção de grãos.

Nas contas do economista Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector, a receita agrícola gerada pelos grãos chegará a R$ 646,8 bilhões este ano, ante R$ 647,2 bilhões em 2024. A leve alta, segundo ele, será garantida pela soja, cuja colheita poderá crescer 0,7% nesta safra 2025/26, para 167 milhões de toneladas. Silveira acredita que os preços da oleaginosa também terão espaço para subir, e, com isso, prevê que a receita da oleaginosa avançará 4,7%, para R$ 412,6 bilhões.

Quase todo esse incremento, porém, tende a ser anulado por uma queda de 5,7% estimada para a receita do milho, projetada pela MacroSector em R$ 164,3 bilhões em 2026. No cenário traçado por Silveira, as cotações do cereal tendem a registrar pequena valorização ao longo do ano, insuficiente para compensar uma queda de 7,7% da produção total no ciclo atual, para 130,7 milhões de toneladas.

Incluído entre os grãos, o algodão também deverá apresentar performance mais fraca que no ano passado, conforme a MacroSector. com baixas de produção e preços. Assim, a receita da cultura em 2026 está calculada em R$ 20,8 bilhões, em queda de 17,1%. Para o arroz, a consultoria projeta retração de 10,6%, para R$ 26,9 bilhões, também fruto de reduções de colheita e cotações, e para o arroz a previsão é de recuo de 2,9%, para R$ 10,1 bilhões.

No caso das principais culturas permanentes do campo brasileiro, a consultoria estima receita agrícola total de R$ 267,3 bilhões, 4,9% menor que a do ano passado. Para a cana, que lidera o grupo, o horizonte aponta para diminuições de produção e dos preços do açúcar, deixando como saldo uma receita de R$ 92,8 bilhões, 5,8% abaixo de 2025.

Fabio Silveira prevê aumento da colheita de café, mas acredita que as cotações do produto vão recuar. Assim, calcula a receita em R$ 90,1 bilhões no segmento este ano, em queda de 4,7% na comparação com 2025. Também com projeções de crescimento da produção, mas preços mais baixos, a laranja tem sua receita projetada pela MacroSector em R$ 58,2 bilhões em 2026, com redução de 3,3%.

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