Alta de fertilizantes nitrogenados já superou 60% desde o início da guerra no Oriente Médio

Segundo a StoneX, produtores brasileiros estão adiando as compras, mas essa estratégia não se sustentará indefinidamente
Fernando Lopes
(Crédito: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar)

Os preços dos fertilizantes nitrogenados aplicados nas lavouras do país já subiram mais de 60% desde o início dos conflitos no Oriente Médio, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira pela StoneX. De acordo com a empresa de serviços financeiros, a ureia, por exemplo, ficou 63% mais cara, enquanto a alta do nitrato de amônio chegou a cerca de 60% e a do sulfato de amônio, a 30%.

O Oriente Médio é uma importante produtora de nitrogenados, e o Brasil é um dos maiores importadores de fertilizantes do mundo – mais de 80% da demanda nacional é atendida com nutrientes que vêm de outros países. Assim, a preocupação dos produtores rurais brasileiros cresce a cada dia que dura a guerra, que também elevado as cotações do petróleo e seus derivados, encarecendo fretes marítimos e rodoviários.   

Segundo a StoneX, a disparada da ureia tem provocado uma piora relevante nas relações de troca com culturas agrícolas, especialmente o milho, um dos que mais dependem de nitrogenados. Atualmente, realça a empresa, são necessárias cerca de 60 sacas do cereal para a compra de uma tonelada do insumo, um dos piores patamares dos últimos anos.

“Estamos diante de uma deterioração importante das relações de troca, o que pressiona diretamente as margens do produtor e torna as decisões de compra mais complexas neste momento”, afirma o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomas Pernías, em nota. O cenário também afeta produtores de soja, que enfrentam condições pouco atrativas para aquisição de fertilizantes fosfatados. 

A empresa lembra que, no Brasil, a principal “janela” para a aquisição de fertilizantes ocorre no segundo semestre, antes da safra de verão. A antecipação das compras, porém, muitas vezes é uma estratégia que se mostra vantajosa, e com a forte alta dos preços esse movimento mostrou-se bastante enfraquecido.

“Com o avanço do calendário, os agricultores terão que optar entre absorver custos mais altos, com impacto direto nas margens, ou reduzir a aplicação de insumos, assumindo riscos potenciais para a produtividade”, pontuou a StoneX.

Ministério confirma foco da doença de Newcastle em granja de perus em Santa Catarina

Propriedade está localizada no município de Itaberaba; parceiros comerciais do Brasil estão sendo notificados

Avanço do milho deverá garantir mais uma safra recorde de grãos no país

Conab prevê colheita total de 367,1 milhões de toneladas neste ciclo 2026/27, 1,4% mais que em 2025/26

Volume das exportações de suco de laranja cresce, mas receita tem forte queda

De julho a setembro, os três primeiros meses desta safra 2026/27, valor dos embarques caiu 34,4% e alcançou US$ 489,7 milhões, segundo a CitrusBR

Resenha NPagro: Brasil em destaque no Dia Mundial da Alimentação

Ana Luci Grizzi analisa cenário para o avanço da produção sustentável no país

NPagro Cast: Biobunker abre nova fronteira para o etanol, com Martinho Ono

Inscreva-se para receber
as notícias gratuitamente

Ao inserir seu e-mail, você concorda em receber a newsletter do NPAgro. Você pode cancelar sua inscrição a qualquer momento

MAIS LIDAS

ESG

Pecuária sustentável: O “green lot” da família Costabeber em São Sepé

Modelo de produção da Fazenda Pulquéria, importante fornecedora da Minerva no Rio Grande do Sul, privilegia bem-estar dos animais e rende bons preços

Economia

Ministério da Fazenda suspende financiamentos do Plano Safra 2024/25

Secretaria do Tesouro enviou ofício às instituições financeiras determinando a suspensão de novas contratações de crédito rural subvencionado

Produção

IBGE confirma abate recorde de 16,9 milhões de fêmeas em 2024

Volume histórico representou 43% de todo abate da pecuária bovina no ano passado e um crescimento de 19% em comparação aos dados de 2023