Após vazio sanitário de 28 dias, Brasil se declara novamente livre de gripe aviária

Medida pode precipitar o fim de barreiras à carne de frango brasileira em países importadores
Fernando Lopes

O Ministério da Agricultura entregou nesta quarta-feira à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) um documento que oficializa a autodeclaração do Brasil de que o país está novamente livre de gripe aviária. Após a confirmação do primeiro caso de influenza de alta patogenicidade em uma granja comercial brasileira, em Montenegro (RS), o vazio sanitário de 28 dias foi cumprido e não houve o registro de novos casos, o que permitiu o movimento.

“Não se comemora uma crise, mas é preciso reconhecer a robustez do nosso sistema sanitário, que respondeu com total transparência e eficiência. Seguimos todos os protocolos, contivemos o foco e agora avançamos com responsabilidade para uma retomada gradativa do comércio exterior, mostrando a força do serviço sanitário brasileiro”, afirma o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, em nota.

Uma vez enviada a autodeclaração à OMSA, o ministério passou a informar os países importadores de carne de aves do Brasil de que está livre da doença, e espera uma suspensão gradativa dos embargos impostos após a confirmação do caso em Montenegro.  

“O vazio sanitário de 28 dias compreende dois ciclos de vida do vírus, para garantir que a granja com a ocorrência esteja totalmente livre. A autodeclaração restabelece o nosso status sanitário. No momento em que dezenas de nações, incluindo todas as grandes produtoras de aves, enfrentam problemas e ocorrências em suas respectivas produções, nós superamos a única ocorrência de toda a história da avicultura, que é a maior exportadora e segunda maior produtora mundial de carne de frango”, diz Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteínas Animais (ABPA).

Em maio, em virtude das barreiras impostas por importadores, as exportações de carne de frango do país caíram 12,9% em relação ao mesmo mês de 2024, para 393,4 mil toneladas. O segmento comemorou o fato de o volume ter permanecido próximo de 400 mil toneladas, mas a queda poderá ser mais profunda em junho, já que o número de dias com restrições é maior. “Estamos confiantes no rápido restabelecimento da normalidade no fluxo dos embarques”, afirma Santin.

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