Autoridade antitruste do Uruguai volta a barrar aquisição de plantas da Marfrig pela Minerva

Coprodec nega proposta da empresa brasileira para tentar assumir pelo menos duas das três unidades compradas
Fernando Lopes

A Comisión de Promoción y Defensa de la Competencia (Coprodec), autoridade antitruste do Uruguai, barrou a compra, pela Minerva Foods, de plantas no país que pertencem à MBRF, fruto da fusão entre Marfrig e BRF. Três unidades uruguaias estavam no pacote de ativos da Marfrig adquiridos pela Minerva na América do Sul em 2023, por R$ 7,5 bilhões. Não houve problemas para a incorporação das fábricas do pacote no Brasil, na Argentina e no Chile, mas no Uruguai a operação, que chegaria a R$ 675 milhões, não foi aprovada.

Em fevereiro deste ano, após ouvir o primeiro “não” da Coprodec, a Minerva, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, se comprometeu a vender a planta da Marfrig localizada em Colonia ao Allana Group, por US$ 48 milhões, para conseguir assumir as unidades situadas em San José e Solto. Os executivos da companhia estavam confiantes sobre o desfecho da transação, mas a tendência, agora, é que a Minerva desista de vez. Assim, a MBRF continuará a ser líder no segmento no Uruguai.

“A Companhia tomou conhecimento acerca da decisão denegatória da autoridade concorrencial uruguaia (Comisión de Promoción Y Defensa de la Competencia – Coprodec) quanto da aquisição de 3 (três) plantas de propriedade de controladas da Marfrig Global Foods S.A. no Uruguai, localizadas nas cidades de San José, Salto e Colonia (“Operação – Uruguai”). A Companhia reitera o seu compromisso de manter os acionistas e o mercado em geral acerca dos desdobramentos relativos a tal assunto (Operação Uruguai)”, informou a Minerva, em comunicado.

Os ativos no Uruguai foram recentemente “valorizados” pela imposição, pelos Estados Unidos, da tarifa adicional de 40% sobre as importações de produtos brasileiros, que não poupou a carne bovina. Com a taxa, que se somou a outras alíquotas que já existiam, as vendas de carne bovina (in natura e industrializada) do Brasil para os EUA recuaram 46% em agosto, segundo informações da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). Em recente manifestação, a Marfrig realçou que as três unidades continuavam sob seu comando, em operação.

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