A Biotrop, uma das maiores produtoras de insumos biológicos do país, driblou as dificuldades que marcaram parte do agro brasileiro e voltou a crescer mais de 20% em 2025. Impulsionada pela ampliação de sua base de usuários e com a diversificação do portfólio de produtos, a empresa faturou quase R$ 900 milhões, 23% mais que em 2024, e agora se prepara para superar a marca de R$ 1 bilhão em 2026.
“Talvez este ano seja até mais difícil do que o passado, por causa do efeito cumulativo de fatores como juros elevados, maior custo de capital e crédito restrito, mas estamos conseguindo fazer bons negócios. Tivemos um janeiro forte e o primeiro trimestre já está bem encaminhado”, afirmou Jonas Hipólito, presidente da Biotrop, ao NPagro. “O potencial dos biológicos ainda é muito grande no Brasil”, realçou o executivo.
Em 2025, a área tratada com tecnologias biológicas desenvolvidas pela companhia superou o equivalente a 50 milhões de hectares, ante 41 milhões no ano anterior. A boa demanda para aplicação de biológicos em lavouras de grãos continuou a nortear o avanço das vendas, com o incremento de volumes e número de aplicações, mas também houve crescimentos importantes da adoção das tecnologias da Biotrop em plantações de algodão e cana-de-açúcar.
De acordo com Hipólito, biofungicidas e bioinseticidas foliares continuaram a se destacar, e produtos capazes de colaborar com a eficiência do uso da água ganharam importância. A empresa, que conta com cerca de 70 pesquisadores e investe entre 10% e 20% de seu faturamento anual em pesquisa e desenvolvimento, mantém atualmente um banco com 4,3 mil cepas funcionais de microrganismos catalogadas e prontas para aplicação em formulações.
Para 2026, a Biotrop, que é um dos principais braços da multinacional belga BioFirst, espera conseguir o registro de dez novas tecnologias, entre as quais o primeiro herbicida biológico do mercado. Conforme Hipólito, essa novidade ainda não deverá ter grande impacto nas vendas em 2026, mas tem potencial para se tornar uma das maiores estrelas da companhia nos próximos anos, até pelo peso que os herbicidas têm hoje no mercado brasileiro de defensivos químicos.
Para continuar a apoiar seus clientes em um ambiente de negócios ainda marcado por muitos desafios, a Biotrop pretende novamente expandir em 2026 o fundo que mantém para este fim, que já cresceu para R$ 200 milhões. Ferramentas como o barter (troca de insumos por colheitas futuras) e seguro de carteira seguem à disposição, e o piloto de um fundo atrelado a créditos de carbono também será testado este ano.
Com uma equipe de campo formada por cerca de 300 agrônomos, a Biotrop tem cerca de 35% das vendas concentradas em grandes clientes, o que ajudou a diluir riscos em 2025. A comercialização por meio de revendas espalhadas pelo país registrou “crescimento interessante” no ano passado, segundo Hipólito (até 40% em algumas regiões), e as entregas diretas para cooperativas, sobretudo da região Sul, continuam a ser uma das prioridades da companhia.
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