BRF tem melhor resultado da história; Marfrig reverte prejuízo com dinheiro do Minerva

Dona da Sadia e Perdigão volta a fechar no azul depois de dois anos no vermelho e ajuda sua controladora a respirar após custos em alta nos EUA
Fernando Lopes

A BRF teve em 2024 o melhor desempenho da sua história. Ainda que os números possam ter ficado abaixo das expectativas de alguns analistas, a companhia liderada por Miguel Gularte apresentou melhoras significativas em praticamente todos os seus indicadores e voltou a dar lucro, o que não acontecia desde 2021.

O lucro líquido do quarto trimestre do ano passado cresceu 15%, para R$ 868 milhões, em comparação ao mesmo período de 2023. A receita avançou 21,6% e alcançou R$ 17,5 bilhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) aumentou 47,2%, para R$ 2,8 bilhões.

“Esse trimestre fecha um ano histórico para a BRF, em que a empresa apresenta um resultado econômico, financeiro e, principalmente, de performance muito relevante”, disse Gularte em conversa com jornalistas.

A performance a que Gularte se refere é a operacional, medida pelo programa Programa BRF Mais. A companhia conseguiu capturar R$ 1,5 bilhão em eficiências, com destaque para a conversão alimentar dos animais, a produtividade fabril e ocupação das fábricas.

E se a empresa comemorou o desempenho de 2024, para 2025 as expectativas positivas permanecem. Para Fabio Mariano, vice-presidente financeiro e de relações com investidores, os fundamentos que garantiram os resultados de 2024 devem se manter para 2025.

“Ainda temos bons momentos para os preços de proteínas em praticamente todos os destinos. Isso vale para a proteína do frango, do suíno e vale também para um bom ambiente no consumo dos processados no Brasil”, disse o executivo.

Resultado da Marfrig

Por outro lado, a Marfrig teve um ano difícil. O quarto trimestre foi decisivo para o resultado anual. Nos últimos três meses de 2024, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 2,57 bilhões, 215 vezes maior que os modestos R$ 12 milhões do quarto trimestre de 2023. Assim, o lucro líquido anual ficou em R$ 2,79 bilhões, fazendo com que a empresa revertesse o prejuízo de R$ 1,51 bilhão do ano anterior.

Já o Ebitda trimestral cresceu 37,1%, para R$ 3,74 bilhões. Contudo, 74% desse resultado vem do desempenho das operações da BRF. As operações da América do Sul contribuíram com 17% e as da América do Norte com apenas 9%.

Além do desempenho positivo da BRF, outro fator determinante para salvar o ano da Marfrig foram os recursos recebidos pela empresa com a venda de ativos na América do Sul para a Minerva. No final de outubro a Marfrig viu seu caixa engordar em R$ 5,68 bilhões, referente às unidades do Brasil, Chile e Argentina.

Para 2025, a companhia espera tirar do sapato a pedra que incomodou os negócios ao longo de todo ano. A operação da América do Norte viu seu Ebitda cair 22% no quarto trimestre, para US$ 62 milhões.

Tim Klein, CEO das operações da região, disse que o mercado começa a ver uma redução no abate de fêmeas. Segundo ele, a perspectiva de queda na taxa de juros e a melhora nas condições climáticas são incentivos para que a retenção de fêmeas comece em 2025. “Mas ainda não há um sinal claro que essa retenção já tenha começado”, disse.

Se o ciclo do boi pode estar melhorando nos Estados Unidos, no Brasil a situação pode estar mudando para pior. Depois de dois anos de oferta crescente na disponibilidade de animais para abate, o Brasil poderá ter uma situação diferente em 2025.

“Será um ano de transição. A expectativa é que o abate caia entre 2% e 3%, mas, ainda assim, será um volume elevado, após o recorde de abates em 2024”, disse Rui Mendonça, CEO das operações da Marfrig na América do Sul. 

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