Com novos avanços no 4º trimestre, Minerva Foods colecionou recordes em 2025

Resultado líquido da empresa alcançou R$ 848,3 milhões no ano; Ebitda subiu 54% e receita foi 61% maior que em 2024
Fernando Lopes
Fernando Galletti de Queiroz, CEO da Minerva Foods (Foto: Divulgação)

A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, encerrou o quarto trimestre do ano passado com lucro líquido de R$ 85 milhões, ante prejuízo de R$ 1,567 bilhão em igual intervalo de 2024. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da companhia cresceu 24,1%, para R$ 1,172 bilhão, e sua receita líquida aumentou 32,6%, para R$ 14,204 bilhões.

Os avanços expressivos observados colaboraram para os três indicadores baterem recorde em 2025 como um todo. O lucro líquido chegou a R$ 848,3 milhões, contra um prejuízo de R$ 1,564 bilhão no ano anterior, o Ebitda atingiu R$ 4,825 bilhões, em alta de 54,1%, e a receita somou R$ 54,83 bilhões, com avanço de 60,9%. Segundo a Minerva, em 2025 as exportações representaram 60% de sua receita bruta, que subiu 59,7% e bateu em R$ 58 bilhões.

“Batemos todas as estimativas iniciais dos analistas de mercado”, comemorou Edison Ticle, CFO da empresa. Ele lembra que, no início de 2025, os analistas previam, em média, que a receita líquida anual da Minerva chegaria a R$ 46 bilhões, que o Ebitda ficaria em cerca de R$ 4 bilhões e que o lucro não superaria R$ 300 milhões. O executivo também destacou que a geração de caixa livre da companhia alcançou R$ 1,5 bilhão no ano passado, quando o cenário inicial previsto pelos analistas indicavam quase R$ 800 milhões negativos.

Assim, a alavancagem da Minerva, que havia disparado após a aquisição de ativos da Marfrig no Brasil, na Argentina e no Chile, caiu de 3,7 vezes, ao término de 2024, para 2,6 vezes. E a aquisição, que custou R$ 5,7 bilhões, provou ter sido uma tacada acertada, sobretudo à luz da performance das 13 plantas que vieram da concorrente, 11 delas no Brasil. Segundo a empresa, as novas unidades representaram, no total, uma receita bruta de R$ 12,1 bilhões em 2025, com vendas de 481,8 mil toneladas.

“Vale ressaltar que, especialmente na primeira metade do ano, os novos ativos atuaram com restrições operacionais devido ao processo de integração, com o ramp-up natural das operações. Contudo, com a conclusão desse processo na segunda metade de 2025, a companhia alcançou um melhor nível de performance com a normalização das operações, o que indica uma receita anualizada ao redor R$16 bilhões e um Ebitda anualizado na faixa de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,6 bilhão, superando as expectativas iniciais quando do momento da aquisição”, destacou a Minerva em texto que acompanha os resultados divulgados nesta quarta-feira.

O aprofundamento da diversificação geográfica é particularmente importante em uma nova era de turbulências e restrições no front internacional. Em 2025, o tarifaço americano, mesmo que tenha durado pouco no caso da carne bovina,  prejudicou as exportações brasileiras, enquanto 2026 começou com salvaguardas chinesas que tendem a limitar os embarques do Brasil em geral ao país asiático, uma vez que acima de uma cota de 1,1 milhão de toneladas incidirá uma tarifa de 55% que praticamente inviabilizar as vendas.

Afora essas questões, a escalada dos conflitos no Oriente Médio também exige atenção e ajustes de rotas de escoamento, mas até agora os sinais são de que problema não deverá prejudicar os negócios da Minerva de forma expressiva em 2026. Segundo Fernando Queiroz, CEO da companhia, o Oriente Médio representou menos de 7% das exportações da empresa em 2025, enquanto a China respondeu por 27% e os EUA, por 19%.

Nesse contexto, Queiroz está otimista em relação a 2026, principalmente porque as restrições na oferta de carne bovina de outros exportadores, como EUA e Austrália, tendem a continuar abrindo espaço para a proteína da América do Sul no mercado global. Mas isso não significa que será um ano fácil, até porque as margens de lucro deverão recuar no Brasil com a redução da oferta de gado.

DIVIDENDOS E BONDS

Diante dos resultados alcançados, a administração da Minerva propôs uma distribuição de dividendos complementares no valor de R$ 30,8 milhões, a serem aprovados em assembleia de acionistas em abril – no fim de 2025, já foram distribuídos R$ 162,1 milhões. A companhia informou, ainda na área financeira, que no quarto trimestre do ano passado foram exercidos 318.398 bônus de subscrição, perfazendo um montante de R$ 1,6 milhão. 

“Ainda restam cerca de R$ 936,1 milhões relativos aos bônus de subscrição disponíveis no mercado, que devem impactar positivamente a estrutura de capital da companhia quando do seu exercício final, até meados de 2028”, disse a Minerva. “Em 5 de novembro de 2025 a companhia anunciou a recompra e cancelamento de US$ 75,7 milhões relativos ao Bond 2031. Em 5 de dezembro, a Companhia anunciou a recompra antecipada da totalidade do saldo remanescente do Bond 2028, no valor de US$ 166 milhões (cuja opção de compra foi exercida e liquidada em 19 de janeiro de 2026), e mais recentemente, em março de 2026, recompramos e cancelamos cerca US$ 35,5 milhões do Bond 2031. Desde janeiro de 2025, a Minerva recomprou e cancelou um total de US$ 586,3 milhões em bonds, representando aproximadamente R$ 3,2 bilhões”, concluiu a empresa.

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