Com um novo controlador desde o fim de abril, a gaúcha Grano Alimentos, conhecida por fornecer vegetais congelados para varejo, indústrias e food service, prevê faturar R$ 300 milhões em 2026 e está revendo suas metas de longo prazo, para se ajustar a novos desafios nos fronts doméstico e externo. Mas a roda continua girando, e a empresa mantém o passo e avança em práticas sustentáveis e no apoio a seus fornecedores, a maior parte formada por agricultores familiares.
Em uma transação de valor não revelado, o fundo americano Arlon Group, que controlava a Grano desde 2015, vendeu a companhia para a gestora Cleam Capital, que mantém uma visão otimista para os negócios, sustentados por uma lista que inclui brócolis, couve-flor, cenoura, batata, abóbora e ervilha, entre outros produtos. O objetivo ainda é alcançar vendas da ordem de R$ 1 bilhão nos próximos anos, mas há novos desafios ao longo dessa caminhada.
Um deles é a evolução do mercado global de alimentos plant-based, mais lenta do que se previa há alguns anos. Outro envolve as exportações, impactadas pelas oscilações do câmbio e medidas protecionistas em países importadores. Em parte por causa dessas questões, a meta da Grano de aumentar seu faturamento em 10% em 2025, para R$ 350 milhões, não foi alcançada. De qualquer forma, a companhia triplicou sua capacidade de produção nos últimos anos, chega a cerca de 50 mil pontos de venda no Brasil e reitera que agora se prepara para um novo ciclo de crescimento.
Nesse percurso, o apoio aos fornecedores continua a ser uma peça-chave. São 120 agricultores familiares, com propriedades entre 5 e 2 hectares distribuídas por mais de 30 municípios da Serra Gaúcha e também de Santa Catarina. de agricultores, que contaram com R$ 24,3 milhões no total em medidas de apoio da Grano em 2025, como parte de um pacote de R$ 40 milhões previsto para entre 2024 e 2026. Brócolis e couve-flor representam 70% dos volumes recebidos e enviados para a fábrica da companhia em Serafina (RS), onde os vegetais são lavados e congelados para posterior distribuição.
“Continuamos agregando valor com critérios sócio-ambientais, que estão mais rigorosos, e de olho nos negócios”, afirmou Michele Lopes, diretora de sustentabilidade da Grano, ao NPagro. “O ‘G’ do ESG ganhou força em nossa estratégia, com foco em uma estratégia sustentável. Governança e eficiência caminhando juntas”, disse a executiva. Nesse contexto, iniciativas ambientais e sociais, com destaque também para a gestão responsável de recursos naturais e para a ampliação da rastreabilidade de seus produtos, continuam a evoluir.
A companhia informou, por exemplo, que estruturou um plano de ação voltado ao uso e reuso da água, com meta de reduzir em 5% o consumo de água potável até 2030. Em eficiência energética, implementou um novo programa para reduzir a intensidade do consumo de energia até 2030, e na emissão de gases mantém uma agenda de reduções graduais até 2033. Na gestão de resíduos, seu índice de reaproveitamento e reciclagem superou 96%, e a empresa também avançou na estratégia de embalagens e logística reversa.
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