Cooxupé compra controle da Agrobom e marca estreia no mercado de grãos

Tradicional no café, cooperativa vai incorporar quatro armazéns com capacidade estática de 900 mil sacas e já fala em verticalização
Fernando Lopes
Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupé (dir.), o fundador da Agrobom, Mário Nelson Castelli (cen.) e o vice-presidente da cooperativa, Osvaldo Bachião Filho (esq.)

O pedido veio dos cooperados. Predominantemente atuando no segmento de café, produtores mineiros e paulistas associados à Cooxupé almejavam que a cooperativa expandisse sua atuação para além dos cafezais. Agora, o pedido se concretizou.

A Cooxupé anunciou hoje a compra do controle da Agrobom, empresa fundada pela família Castelli que atua na recepção e comercialização de soja e milho no Sul de Minas. O negócio marca a entrada da cooperativa no segmento de grãos, onde atua até o momento apenas em operações de barter, recebendo soja e milho como pagamento na venda de insumos.

O valor da operação e a participação exata que a Cooxupé terá não foram divulgados. Segundo Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da cooperativa, os processos de auditoria e due diligence estão em fase final de conclusão, mas os dados serão apresentados em breve.

Segundo Marco Castelli, diretor comercial da Agrobom, a empresa tem hoje quatro armazéns com capacidade estática de 900 mil sacas. Em 2024, a empresa movimentou 1,8 milhão de sacas entre soja e milho, sendo que 120 mil toneladas de grãos foram exportadas. A expectativa é que no primeiro ano de trabalho em conjunto com a Cooxupé haja um crescimento entre 10% e 20% no volume embarcado.

E a expansão pode ser muito maior. Hoje, a Agrobom tem uma área de cobertura de apenas 33 municípios. Com o café, a Cooxupé atua em mais de 300 cidades, sendo que a região tem potencial para explorar 800 mil hectares de soja e 700 mil de milho, considerando primeira e segunda safra. Atualmente, a cooperativa atua em 140 mil hectares de soja e 130 mil de milho.

Na avaliação de Osvaldo Bachião Filho, vice-presidente da Cooxupé, a cooperativa possui 18 unidades de recebimento de café que podem ser adaptadas para o recebimento de grãos. “A cooperativa está muito sólida e estruturada para operar café, mas nosso cooperado demanda outras atividades e trabalha com outras culturas. Essa diversificação é uma consequência dos pedidos do nosso cooperado”, disse.

Apesar de os volumes ainda serem considerados pequenos perto do que é movimentado pelas grandes tradings de grãos, a Cooxupé mira crescimento. A cooperativa já tem plano para construir uma esmagadora de grãos, com objetivo de verticalizar a produção de grãos, a exemplo do que já faz no segmento de café.

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