Demanda por fertilizantes poderá arrefecer, mas vendas tendem a bater recorde

Consultoria Agro do Itaú BBA projeta aumento de 6% das entregas no Brasil em 2025, para 48,5 milhões de toneladas
Fernando Lopes

O encarecimento dos fertilizantes no mercado internacional nos últimos meses poderá restringir a demanda dos agricultores neste segundo semestre, segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA divulgada na semana passada. Mas os preços mais baixos do início do ano motivaram um movimento de antecipação das compras, e mesmo com o arrefecimento previsto, em virtude da piora das relações de troca entre produtos agrícolas e adubos, as entregas desses insumos aos clientes finais tendem a aumentar em 2025 e bater um novo recorde.

Segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), de janeiro a abril as entregas somaram 12,1 milhões de toneladas, 10,7% mais que em igual intervalo de 2024. Na mesma comparação, as importações de fertilizantes intermediários cresceram 12,2%, para 11,3 milhões de toneladas, e a produção nacional avançou 9,1%, para 2,2 milhões de toneladas. O Itaú BBA projeta que as entregas alcançarão 48,5 milhões de toneladas em 2025 como um todo, volume recorde 6% superior que o ano passado, mas prevê queda de 1,8% nas importações, para 40,6 milhões de toneladas.

Essa retração das importações não deverá afetar as entregas graças aos elevados estoques nas indústrias e revendas, que estavam bem acima das médias históricas no início de 2025, como realça o Itaú BBA. “Enquanto os estoques permanecerem altos, as margens das revendas deverão continuar pressionadas. Ainda há necessidade de novas aquisições de fertilizantes para a safra de verão [2025/26], mas os preços atuais seguem elevados e a expectativa é de que possíveis quedas sejam graduais”, analisa o banco.

De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, o mercado de fosfatados foi o que mais se destacou no início deste ano, e o preço do MAP (monoamônico-fosfato) chegou a ultrapassar a marca de US$ 750 a tonelada nos portos brasileiros em algumas negociações, sobretudo por causa de limitações na oferta da China. Mas o país asiático voltou a exportar nos últimos meses, o que deverá conter o aumento de preços. 

Já os nutrientes derivados do nitrogênio têm navegado nas ondas dos conflitos no Oriente Médio entre Israel e Irã. O Itaú BBA destaca que o Oriente Médio é responsável por cerca de 40% das exportações globais de ureia, e o produto chegou a ser vendido por US$ 450 a tonelada nos portos do Brasil em dias de confronto militar. As cotações dos nutrientes potássicos estão um pouco mais comportados, mas o cloreto de potássio já subiu para US$ 360 a tonelada.

“De maneira geral, o mercado de fertilizantes deverá seguir com demanda forte nos próximos meses, porém esses pontos de maior estresse na oferta dão sinais de que estão arrefecendo. Dado que não acreditamos que a tendência de alta nos preços dos nutrientes deverá seguir no médio prazo, possivelmente, teremos uma acomodação dos preços nos níveis atuais. Contudo, esse mercado é especialmente sensível aos riscos geopolíticos, como observamos em 2022 (com o início do conflito entre Rússia e Ucrânia) e agora (com o conflito entre Israel e Irã)”, diz a Consultoria Agro do Itaú BBA.

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