Fusão entre Marfrig e BRF esbarra em divergência sobre relação de troca de ações

CVM pede mais informações sobre a operação e determina adiamento de assembleia da BRF
Fernando Lopes

Questionamentos apresentados por acionistas minoritários levaram a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a suspender o processo de incorporação das ações da BRF pela Marfrig. Por decisão da autarquia, a Assembleia Geral Extraordinária da BRF que nesta quarta-feira deliberaria sobre a fusão foi adiada para o mês que vem. A empresa de Marcos Molina já é a controladora da dona das marcas Sadia e Perdigão.

O plano original para a criação da MBRF, uma gigante com faturamento anual superior a R$ 150 bilhões, prevê uma relação de troca de 0,8521 ação da Marfrig para cada ação da BRF, acompanhada de pagamentos de dividendos extraordinários. Uma ala de minoritários da BRF considerou pouco, e no mercado circulam cálculos que defendem uma relação de mais de 2 ações da Marfrig para cada ação da BRF.

Fontes que acompanham o processo realçam que a área técnica da CVM considerou que de fato faltam informações sobre os critérios que levaram à relação de troca proposta, e que a alegada “negociação entre comitês independentes” das duas empresas, que levou ao valor apresentado, não é suficiente para corroborá-lo. Nesse contexto, a CVM também pediu informações que comprovem a real independência entre os comitês de BRF e Marfrig.

Em comunicado conjunto divulgado ontem, as duas companhias informaram que estavam avaliando o teor da decisão da CVM e as medidas cabíveis para tentar contorná-la, incluindo um eventual pedido de reconsideração. Vale lembrar que esse é o segundo obstáculo à fusão que surgiu nos últimos dias, depois que a Minerva Foods ter sido habilitada pelo Conselho de Defesa Econômica (Cade) como terceira parte interessada no ato de concentração relativo à incorporação das ações da BRF pela Marfrig. 

A empresa da família Vilela de Queiroz está preocupada com dois pontos da operação que dará origem à MBRF: o primeiro é que, como fornecedora de carne para a produção de alimentos processados da BRF, poderá ser prejudicada pela fusão, uma vez que a Marfrig, atualmente, também é. E o segundo é que o fundo árabe Salic, que detém 31% de seu capital e é sócia da BRF, se tornará acionista, com pouco mais de 10%, de uma nova empresa que será sua concorrente em parte das atividades, com acesso a informações privilegiadas e risco de conflito de interesses.

Diante do adiamento da assembleia da BRF, a Marfrig informou que seus acionistas decidiram também suspender a Assembleia Geral Extraordinária que trataria da fusão e também estava agendada para hoje

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