O índice de inadimplência da população rural chegou a 8,8% no país no primeiro trimestre deste ano, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira pela Serasa Experian. Os cálculos da datatech levam em consideração dívidas de pessoas físicas da população rural contraídas com empresas de segmentos relacionados ao agronegócio e vencidas há mais de 180 dias. Em relação ao quarto trimestre de 2025, houve alta de 0,6 ponto percentual, e na comparação com o primeiro trimestre do ano passado o aumento foi de 1,2 ponto.
“A alta gradual da inadimplência mostra que, no início de 2026, os produtores rurais ainda enfrentam desafios para recompor sua capacidade financeira. Mesmo com uma perspectiva mais favorável para alguns segmentos do agronegócio, os efeitos de ciclos anteriores, com custos elevados, oscilações de preços e restrição ao crédito, seguem impactando o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento no setor”, diz Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, em nota.
De acordo com a Datatech, a inadimplência de produtores rurais sem informação de registro rural (possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares/econômicos) liderou o incremento e atingiu 11%. Entre os grandes proprietários rurais, o percentual estava em 9,9% no primeiro trimestre deste ano, acima do nível observado entre os médios produtores (8,6%) e os de pequeno porte (8,3%). Por faixa etária, o nível mais elevado nos primeiros três meses de 2026 entre os produtores rurais pessoas físicas foi observado no intervalo entre 30 e 39 anos.
Sempre conforme a Serasa Experian, entre as regiões do país o Norte encabeçou a inadimplência da população rural no primeiro trimestre, com 13,2%. Em seguida vieram Nordeste (10,2%), Centro-Oeste (10,1%), Sudeste (7,3%) e Sul (6,2%). No ranking dos Estados com maiores inadimplências, a liderança ficou com o Amapá (21,2%), que ficou à frente de Amazonas (15%), Roraima (14,4%), Acre (13,4%) e Pará (13,2%). No fim desse ranking aparecem Paraná (6,4%), Santa Catarina (6,4%) e Rio Grande do Sul (5,8%).
A datatech explica que seu Indicador de Inadimplência do Agronegócio considera apenas dívidas vencidas com mais de 180 dias e até cinco anos, e que somam pelo menos R$ 1 mil dentre aquelas que estão relacionadas ao financiamento e atividades agronegócio, nas seguintes categorias: instituições financeiras como bancos, fundos de investimentos e cooperativas de crédito, setores como agroindústrias de transformação e comércio atacadista agro, entre outros, e áreas como seguradoras não-vida, transporte de carga e armazenamento.
“O percentual de inadimplência é calculado sobre 10,7 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural, resultantes de 1) registros de propriedades classificadas como imóveis rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou no Cadastro Federal de Imóveis Rurais (CAFIR); 2) tiveram financiamentos rurais ou agroindustriais no Cadastro Positivo no último ano; ou 3) possuem registro de atividade de produtor rural no Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços (SINTEGRA)”, informa a Serasa.
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