Investimentos em usinas de etanol de milho somam R$ 23 bilhões no país

É o que aponta mapeamento do Itaú BBA; capacidade conjunta de produção alcança 6,1 bilhões de litros por ano
Fernando Lopes

Os investimentos em usinas de etanol produzido a partir de cereais, sobretudo milho, somam atualmente R$ 23 bilhões no Brasil, segundo estimativa divulgada nesta segunda-feira pelo Itaú BBA. São 21 unidades no total, com demanda conjunta de 14 milhões de toneladas de cereais e capacidade de produção de 6,1 bilhões de litros de biocombustíveis.

Além dos aportes nas obras em si, as novas usinas deverão demandar cerca de R$ 5 bilhões para capital de giro, segundo o Itaú BBA. O banco prevê que, no total, R$ 15 bilhões tendem a ser desembolsados entre 2025 e 2027. Os projetos identificados contemplam 12 unidades em construção, com capacidade conjunta para 3,1 bilhões de litros por ano, e nove em fase de planejamento, para um volume adicional de 3 bilhões de litros.

Nesse cenário, a oferta de etanol de cereais no país passará de 8,2 bilhões de litros, na safra 2024/25, para  12,1 bilhões de litros em 2026/27. De acordo com o Itaú BBA, a expansão da produção deverá ter forte impacto na região do Matopiba (confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

“Um ponto de atenção é a dispersão geográfica das novas usinas, muitas delas em áreas onde o consumo de etanol hidratado ainda é baixo. No entanto, essa descentralização pode contribuir para ampliar o uso do biocombustível nas regiões Norte e Nordeste, além de fomentar o cultivo de milho nessas localidades”, realçou o banco.

Num mapeamento semelhante realizado em 2024, o Itaú BBA havia identificado 22 projetos, entre novas plantas e ampliações. Três deles foram concluídos, 13 continuam em obras ou no pipeline e seis foram adiados. “Chama a atenção o fato de que todos os projetos adiados pertencem a grupos que estreariam no setor, o que evidencia os desafios do segmento, especialmente diante do alto custo de capital no Brasil”, avaliou o banco.

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