A São Martinho, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do país, encerrou o terceiro trimestre de seu atual exercício, em dezembro, com lucro líquido de R$ 424,1 milhões, 168,5% mais que em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia caiu 25,6%, para R$ 787,1 milhões, e sua receita líquida diminuiu 13,6%, para R$ 1,593 bilhão.
Segundo a empresa, o aumento do lucro refletiu o reconhecimento de créditos de subvenção e os efeitos positivos da marcação a mercado dos contratos derivativos de dívidas de longo prazo (swap), devido a oscilações do CDI. Os resultados nessas frentes mais do que compensaram o impacto negativo da variação de ativos biológicos em razão da queda dos preços do açúcar. De outubro a dezembro de 2025, o lucro caixa da São Martinho cresceu 0,7%, para R$ 187,7 milhões.
As reduções de Ebitda e receita líquida, por sua vez, derivaram sobretudo do menor volume de etanol vendido, em linha com a estratégia da São Martinho de carregar estoques para comercialização neste quarto trimestre, a preços mais atraentes. Os menores volumes e preços de créditos de descarbonização (CBios) também pesaram negativamente sobre esses indicadores, enquanto o aumento do faturamento com energia elétrica, levedura e DDG, subproduto do processo de fabricação de etanol de milho, jogaram a favor.
Nos primeiros nove meses do exercício, a companhia registrou lucro líquido de R$ 663,3 milhões, 46,9% superior ao resultado do mesmo período do ano-fiscal anterior, Ebitda ajustado de R$ 2,409 bilhões, 9,9% menor, e receita líquida de R$ 5,190 bilhões, 4,9% mais baixa que entre abril e dezembro de 2024. A moagem de cana acumulada da empresa permaneceu praticamente estável e alcançou 21,7 milhões de toneladas no intervalo, enquanto o processamento de milho aumentou 3,2%, para 415,5 mil toneladas.
“A performance na safra é reflexo da menor ocorrência de chuvas durante o período de crescimento do canavial, com impacto na menor produtividade no período (-3,8%), assim como no menor ATR médio (-2,2%)”, informou a São Martinho. A partir desses patamares de processamento, a produção de açúcar da empresa atingiu 1,423 milhão de toneladas nos nove primeiros meses do atual exercício, em alta de 7,1%. A fabricação de etanol de cana recuou 9,9%, para 908,8 mil metros cúbicos, e a de etanol de milho avançou 4,4%, para 175 mil metros cúbicos.
A dívida líquida da São Martinho encerrou 2025 em R$ 5,8 bilhões, com incremento de 17,5% ante um ano antes, em função de novas captações, principalmente por meio da emissão de debêntures e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Já o Capex total somou R$ 1,831 bilhão nos nove primeiros meses do exercício, 9,8% mais que em igual intervalo do ano-fiscal anterior, com destaque para o avanço de 5,3% do capex de manutenção, que atingiu R$ 1,249 bilhão.
Conforme a São Martinho, o Capex de expansão somou R$ 452,6 milhões no acumulado da safra, em alta de 31,8%, “refletindo, principalmente, a implementação da Segunda Fase do Etanol de Milho, e a aquisição de ativos biológicos da Santa Elisa. O montante também contempla a continuidade de projetos aprovados, incluindo o plano de irrigação nas Unidades São Martinho e Santa Cruz, a manutenção não-recorrente da caldeira da Unidade Iracema, e o projeto biometano na Unidade Santa Cruz (em fase final de desembolso)”.
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