Mesmo com aumento, estoques de suco de laranja brasileiro continuam baixos

Segundo a CitrusBR, volume alcançou 146,3 mil toneladas no fim de junho, 25,4% mais que um ano antes
Fernando Lopes

Os estoques globais de suco de laranja produzido no Brasil nas mãos das empresas representadas pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) – Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company – somavam 146,3 mil toneladas no fim do primeiro semestre de 2025, 25,4% mais que um ano antes.

A recuperação já era esperada, mas o patamar continua baixo, como realçou a CitrusBR, em nota. Em larga medida, a escassez pode ser explicada por uma redução da oferta decorrente de uma sequência de safras de laranja abaixo do potencial no cinturão citrícola que se espalha por São Paulo e Minas Gerais, o maior do mundo.

No ciclo 2024/25, encerrado em junho, a colheita na região alcançou 230,9 milhões de caixas de 40,8 quilos, de acordo com dados do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mantido com contribuições das indústrias de suco e de produtores da fruta. Trata-se do menor patamar em três décadas, e em relação à temporada anterior houve queda de 21,8%.

Com isso, o volume de laranjas processadas para a fabricação de suco recuou 27,3% na comparação, para 194,8 milhões de caixas. Essa queda foi apenas parcialmente compensada por uma melhora de 7,1% do rendimento industrial, que chegou a 276,9 caixas por tonelada de FCOJ (suco de laranja concentrado e congelado), conforme a CitrusBR. A fabricação de suco, assim, caiu 21,8%, para 703,2 mil toneladas.

Para a safra 2025/26, que começou em julho, estimativa divulgada pelo Fundecitrus em maio indicou crescimento de 32,9% da colheita de laranja no cinturão paulista/mineiro, para 314,6 milhões de caixas. Mesmo que o incremento seja confirmado, o quadro global ainda será de relação apertada entre oferta e demanda de suco, tendo em vista que o Brasil responde por mais de 70% das exportações mundiais. 

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