Mesmo com tarifaço, exportação de carne bovina bate novos recordes

Segundo a Abrafrigo, receita dos embarques cresceu 49% em setembro, para quase US$ 2 bilhões
Fernando Lopes
(foto: Eduardo Savanachi/Divulgação/Abiec)

Mesmo com o tarifaço americano, as exportações de carne bovina do Brasil bateram novos recordes mensais em setembro. Segundo dados da Secex compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), os embarques alcançaram 373,9 mil toneladas e renderam US$ 1,92 bilhão, com aumentos de 17% e 49%, respectivamente, em relação ao mesmo mês de 2024. Os números incluem carnes in natura e industrializada, miudezas comestíveis e sebo, entre outros subprodutos.

“Esse forte desempenho ocorreu no segundo mês de vigência das taxas adicionais impostas a produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos, mostrando que o setor vem conseguindo superar com sucesso as adversidades e aproveitar novas oportunidades comerciais, compensando a queda nas vendas para o país norte-americano”, avaliou a Abrafrigo, em nota. Até a entrada em vigor da taxa adicional americana de 40% sobre produtos do Brasil, em agosto, as exportações de carne bovina para os EUA vinham apresentando forte alta, uma vez que o ciclo da pecuária naquele país é de baixa oferta.

Com a sobretaxa, informou a Abrafrigo, a receita dos embarques de carne bovina in natura para os EUA recuou 58% em setembro ante o mesmo mês do ano anterior, para US$ 42,2 milhões. As vendas de carne bovina industrializada, por sua vez, caíram 20%, para US$ 30 milhões, enquanto as de sebo e gorduras bovinas diminuíram 7%, para US$ 30,5 milhões. No total, portanto, as exportações de carne e subprodutos bovinos do Brasil para os EUA registraram baixa de 41% na comparação, para US$ 102,9 milhões em setembro. Mesmo assim, o país foi o segundo principal destino dos embarques brasileiros.

De acordo com a Abrafrigo, a China liderou as compras, e de janeiro a setembro o país respondeu por 47,2% da receita das exportações totais brasileiras – US$ 6 bilhões, um aumento de 46,2% em relação a igual intervalo de 2024. Para os EUA, foram US$ 1,7 bilhão, ainda com incremento de 55,1%. A entidade destacou, ainda, o crescimento das importações da União Europeia, a preços mais elevados do que a média. No total, as vendas para o bloco somaram US$ 676 milhões nos primeiros nove meses de 2025, 63,5% mais que no mesmo período do ano passado

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