Oeste da Bahia supera MG e se transforma no maior polo de irrigação do Brasil

Área irrigada com pivôs apresentou um incremento de 300 mil hectares no país e rompeu barreira de 2,2 milhões de hectares em 2024
Fernando Lopes

A área irrigada com pivôs centrais superou a marca de 2,2 milhões de hectares em 2024. O novo número representa um incremento de 300 mil hectares em comparação ao último dado de 2022, conforme estudo realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Há dois anos, um levantamento realizado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicou que o Brasil possuía 1,92 milhão de hectares irrigados por pivô.

“Os dados de hoje revelam um crescimento em áreas irrigadas acima de 14% em apenas dois anos, comprovando a dinâmica do setor”, disse o pesquisador Daniel Guimarães, da área de Agrometeorologia da Embrapa Milho e Sorgo (MG), um dos autores do estudo.

Os resultados obtidos com o levantamento mostraram o uso de 33.846 pivôs centrais, um incremento de 3.807 novos equipamentos de irrigação. O estudo também apontou uma mudança no ranking dos municípios com maior área irrigada. 

Em primeiro lugar aparece São Desidério, na Bahia, com 91.687 hectares, superando Paracatu, em Minas, que possui uma área irrigada de 88.889 hectares. Na sequência aparecem as cidades de Unaí, também em Minas Gerais, com 81.246 hectares, Cristalina, em Goiás, com 69.579 hectares e Barreiras, na Bahia, com 60.919 hectares.

De acordo com Guimarães, esse crescimento está relacionado às condições topográficas, às facilidades de implantação dos empreendimentos, ao uso das águas do Aquífero Urucuia e ao armazenamento da água de irrigação em tanques de geomembrana. 

“As tendências de crescimento das principais áreas irrigadas mostram que em breve o município de Barreiras (BA), também deverá superar Cristalina, (GO)”, adianta o pesquisador. Segundo ele, Minas Gerais continua sendo o estado com maior área irrigada por pivôs centrais no país (637 mil hectares), e a Bahia superou Goiás, ocupando atualmente o segundo lugar, com uma área irrigada de 404 mil hectares.

Apesar de o Brasil ser um dos grandes produtores globais de alimentos, bioenergia e fibras, a maior parte de sua produção agrícola é baseada em sistemas de sequeiro, ou seja, dependente das chuvas. A área total irrigada do Brasil, de cerca de 9,2 milhões de hectares – incluídos todos os sistemas de irrigação – é menor que as áreas irrigadas do Irã e Paquistão, três vezes menores que a dos Estados Unidos e oito vezes menor que as áreas irrigadas da China e Índia.

Os eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas, ondas de calor e excesso de chuvas, têm impactado de forma negativa a produção agrícola de sequeiro no Brasil, além de provocar abalos no mercado interno e na pauta das exportações. “Essas volatilidades inerentes à produção de sequeiro têm refletido na tendência de crescimento da agricultura irrigada no Brasil”, diz o pesquisador.

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