Raízen anuncia venda de duas usinas em MS para a Cocal, por R$ 1,5 bilhão

Juntas, unidades têm capacidade para processar 6 milhões de toneladas de cana por safra
Fernando Lopes

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, informou nesta sexta-feira que acertou a venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, localizadas no município de Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul, para a Cocal Agroindústria. O negócio, que depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), foi fechado por R$ 1,543 bilhão, e inclui os canaviais próprios das unidades, bem como seus contratos com fornecedores.

Do valor total, R$ 1,325 bilhão são referentes aos ativos em si, enquanto R$ 218 milhões envolvem investimentos em manutenção de entressafra deste ano. Segundo a Raízen, o pagamento deverá ser realizado à vista, na conclusão da operação. Juntas, as usinas sul-mato-grossenses têm capacidade para processar cerca de 6 milhões de toneladas de cana por temporada.

“Essa transação está alinhada à estratégia da companhia de otimização do portfólio de ativos, simplificação das operações e captura de eficiências, com foco na melhoria da rentabilidade de seu portfólio agroindustrial. Após a conclusão desta operação e das demais já anunciadas, a Raízen passará a operar um portfólio de 25 usinas, com capacidade instalada de moagem de aproximadamente 75 milhões de toneladas por safra”, realçou a empresa.

Antes dessa transação com a Cocal, a Raízen já havia anunciado a venda de 55 usinas de geração distribuída de energia elétrica, por R$ 600 milhões; a suspensão das atividades da Usina Santa Elisa, em Sertãozinho (SP), e a venda de até 3,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (própria e de terceiros) ligadas à unidade, por R$ 1,045 bilhão; e a venda da Usina e Leme, em Piracicaba (SP), por R$ 425 milhões. 

Ainda como parte dos planos do grupo, a subsidiária Raízen Fuels Finance também precificou a emissão de US$ 750 milhões em notes, enquanto Raízen S.A. e Raízen Energia assinaram um “Protocolo e Justificação de Cisão Parcial da Raízen S.A. com versão do Acervo Líquido Cindido para Raízen Energia”, com o objetivo de otimizar estruturas de capital e gestão e concentrar a participação societária detida pelo grupo em sociedades no exterior.

A Raízen encerrou o primeiro trimestre de seu atual exercício (25/26), em junho, com prejuízo líquido de R$ 1,844 bilhão, ante lucro de R$ 1,066 bilhão em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 23,4%, para R$ 1,889 bilhão, e a receita líquida da companhia recuou 6,1%, para R$ 54,218 bilhões. A dívida líquida fechou junho em R$ 49,22 bilhões, 55,8% maior que um ano antes, e a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) subiu de 2,3 para 4,5 vezes.

Cocal

Com a aquisição, a capacidade produtiva da Cocal vai aumentar de 10,3 milhões para 16,3 milhões de toneladas por safra, enquanto o número de colaboradores diretos saltará de 5,3 mil para 7,7 mil profissionais.

“Esses números refletem a importância estratégica da operação e reforçam nosso compromisso com a eficiência produtiva, a utilização de tecnologia de ponta e o desenvolvimento de pessoas”, informou a empresa, em nota.

As operações da Cocal estão atualmente concentradas na produção de cana, açúcar, etanol, energia elétrica, biometano, “CO2 verde” e levedura seca nas unidades de Paraguaçu Paulista e Narandiba, no oeste do Estado de São Paulo.

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