Raízen encerrou o 2º trimestre do exercício com prejuízo de R$ 2,3 bilhões

Companhia continua engendrando esforços para simplificar portfólio, reduzir endividamento e gerar valor aos acionistas
Fernando Lopes

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, encerrou o segundo trimestre de seu atual exercício 2025/26, em setembro, com prejuízo líquido de R$ 2,312 bilhões, ante perda de R$ 158,3 milhões no mesmo período do ciclo 2024/25. Em igual comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia caiu 12,8%, para R$ 3,348 bilhões, e sua receita líquida recuou 17,8%, para R$ 59,911 bilhões.

Para além dos resultados, a companhia continua engendrando esforços para reduzir o endividamento e gerar mais valor aos acionistas, e destacou que os avanços nesse sentido continuam. Entre outras medidas, na área de açúcar e etanol a Raízen vendeu mais duas usinas no trimestre, enquanto na divisão de combustíveis no Brasil, encerrou a parceria que mantinha com a controladora da Oxxo em lojas de proximidade e fortaleceu as bandeiras Shell Select e Shell Café.

“Neste trimestre, aprimoramos o perfil de endividamento e reforçamos a liquidez, otimizando a estrutura de capital, que permanece como prioridade. Demos mais um passo na gestão de passivos com a substituição de linhas de curto prazo de capital de giro por instrumentos de dívida mais eficientes e de longo prazo. Fortalecemos nossa posição de caixa, mesmo durante o período de maior sazonalidade e demanda por capital na safra, decorrente da formação dos estoques de açúcar e etanol. Reduzimos sensivelmente o patamar de Capex, reforçando a disciplina na alocação de recursos que priorizam eficiência operacional, elevação do padrão de segurança e retorno financeiro”, realçou a Raízen.

A empresa informou que a redução do Ebtida ajustado entre julho e setembro refletiu os menores volumes de açúcar e etanol comercializados e a retração de margens no negócio de combustíveis na Argentina, que foram pressionadas pelo câmbio. Já o prejuízo foi determinado pelo recuo do resultado operacional, pelo aumento das despesas decorrente do maior saldo da dívida – que cresceu de R$ 35,9 bilhões para R$ 53,4 bilhões entre os segundos trimestres – e da elevação da taxa média do CDI e pelo maior efeito da variação do valor justo do ativo biológico (sem efeito caixa).

“Adicionalmente, foram reconhecidos neste trimestre impactos negativos não recorrentes (não caixa) relacionados à hibernação e alienação de ativos, no montante de R$ 1 bilhão, em linha com o processo de simplificação do portfólio . Cabe destacar que esse efeito deverá ser majoritariamente compensado pelos impactos positivos esperados com a conclusão das transações já anunciadas pela companhia”, informou.

A Raízen processou 35,1 milhões de toneladas de cana no segundo trimestre da safra, 6,7% mais que entre julho e setembro de 2024. A produção de açúcar aumentou 12,1%, para praticamente 2,7 milhões de toneladas, enquanto a de etanol diminuiu 10,3%, para 1,24 milhão de metros cúbicos. A produção de etanol de segunda geração somou 42,9 mil metros cúbicos. 

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