O empresário Ricardo Faria ficou conhecido no Brasil por ser um dos grandes consolidadores do mercado nacional de ovos nos últimos anos, por meio da Granja Faria. Agora, seus olhos se voltam para o exterior, onde a receita aplicada por aqui deve ser replicada a partir de agora, por meio da sua Global Eggs.
Com sede em Luxemburgo, a Global Eggs é o grande guarda-chuva que reúne as operações da Granja Faria (Brasil), da Hevo Group (Espanha) e da Hillandale Farms (Estados Unidos). Aliás, a aquisição da empresa americana, negócio de US$ 1,1 bilhão, foi concluída nesta semana.
Assim, a Global Eggs se torna uma gigante global de ovos, com receita estimada para 2025 de US$ 2,5 bilhões, que já entregou um Ebitda de US$ 350 milhões apenas no primeiro trimestre deste ano.
“No ano passado, as três empresas faturaram US$ 2 bilhões vendendo ovo. O sonho foi grande, o time acreditou e a gente se preparou para ser uma empresa global, com um ativo importante no Brasil, um importante na Europa e outro extremamente importante nos Estados Unidos”, disse Faria, durante conversa com jornalistas brasileiros.
Juntas, as três empresas passam a controlar um plantel de 42 milhões de galinhas, produzindo mensalmente 82 milhões de dúzias de ovos. Na prática, são quase 12 bilhões de ovos produzidos anualmente.
Apesar de superlativos, os números escondem um fato importante. Ainda existe espaço para aumentar a produção com a mesma estrutura existente. Desde o final do ano passado, por exemplo, quando a Global Eggs adquiriu a Hevo Group, Faria reduziu em 30% o número de funcionários e ainda assim elevou a produção em 60%. “Isso é eficiência”, resumiu.
Diante do potencial, o empresário desistiu de realizar o IPO que estava encaminhado. Segundo Faria, a ideia da listagem nos Estados Unidos tinha por objetivo a expansão das operações. Contudo, a aquisição da Hillandale fez o empresário engavetar o plano da abertura do capital, pelo menos por enquanto.
“Com o IPO, o crescimento que a gente projetava fazer até 2028, que era chegar a 13 bilhões de ovos, a gente chega em 2025. Eu antecipei o business plan com essa aquisição em pelo menos três anos. Pode ser que a gente volte a falar desse assunto em 2026, mas o IPO não vai acontecer este ano”, disse.
Mesmo sem o IPO e ainda com potencial para crescer sua produção de ovos, Faria já faz planos para seguir com seu projeto de consolidação do mercado mundial de ovos. Agora, enquanto nos Estados Unidos o crescimento ocorrerá de forma orgânica, os olhares do empresário para novas aquisições se voltam para a Europa.
“O nosso endividamento com essa aquisição continua muito baixo. Vamos fechar 2025 com um endividamento entre 0,5x e 1x, ou seja, com fôlego para olhar para o lado”, disse.
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