O forte ritmo das exportações de carne bovina do país no primeiro bimestre sinaliza que as salvaguardas impostas pela China às importações da proteína terão impacto limitado sobre o segmento, avalia a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). A guerra no Oriente Médio é outro fator com potencial para prejudicar os embarques, mas também nesse caso a entidade acredita que os problemas serão restritos.
Em janeiro e fevereiro, as exportações de carne bovina in natura, industrializada, miudezas e outros subprodutos do Brasil alcançaram 557,2 mil toneladas, com aumento de 22% em relação a igual intervalo de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Abrafrigo. Na mesma comparação, a receita das vendas ao exterior cresceu 39% e atingiu US$ 2,865 bilhões.
A China permaneceu como o principal destino dos embarques no primeiro bimestre, com compras de 223,7 mil toneladas (+21,7%), ou US$ 1,221 bilhão (+36%). As regras impostas por Pequim determinam que o Brasil tem uma cota de 1,1 milhão de toneladas para exportar à China em 2026 com tarifa de 12%. Acima desse limite, a taxa a ser cobrada é de 55%, o que praticamente inviabiliza o comércio.
No primeiro bimestre, a participação da China nos embarques totais de carne bovina do Brasil foi de 42,6%, com pequena queda ante o mesmo período do ano passado (43,4%). E o preço médio da carne bovina in natura vendida ao país asiático subiu 12%, para US$ 5.461 por tonelada. Para os Estados Unidos, foram embarcadas 63,1 mil toneladas (+60%), ou US$ 448,7 milhões (+56,8%), e para a União Europeia foram 14,2 mil toneladas (+18,8%), ou US$ 121,4 milhões (+24,6%).
De acordo com a Abrafrigo, também houve incrementos acima de 20% das vendas ao Chile, que renderam US$ 135,9 milhões, e de mais de 100% para a Rússia, que comprou US$ 102,6 milhões. “Os resultados reforçam o papel do Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína bovina em um contexto de demanda internacional ainda aquecida. No total, 109 países aumentaram suas importações, enquanto outros 42 reduziram as aquisições”, realçou a Abrafrigo.
A entidade avalia que os americanos continuarão com importações aquecidas, em decorrência de uma escassez de gado que deverá dar trégua apenas no ano que vem. Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o volume a ser comprado pelo país no exterior este ano poderá chegar a 2,5 milhões de toneladas.
No que tange à guerra no Oriente Médio, a Abrafrigo observa que a região foi responsável por 8,5% das receitas dos embarques brasileiros no primeiro bimestre, o que limita o espaço para reflexos negativos, mas efeitos como o aumento dos custos de transporte preocupam.
“É preciso considerar, ainda, que o Brasil passa por uma mudança do ciclo pecuário, com valorização dos animais de reposição e redução do abate de fêmeas, o que deverá resultar em menor oferta de carne bovina em 2026 para fazer frente à demanda para exportações. Além disso, há ainda boas perspectivas de consolidação e abertura de novos mercados, como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul, o que deverá contribuir para manter aquecida a demanda pela carne bovina brasileira no mercado internacional”, afirmou a Abrafrigo, em nota.
“Dessa forma, mesmo considerando um cenário em que o Brasil esgote sua participação na quota da China (livre da tarifa de 55%), a tendência é de que o aumento da demanda em outros mercados e a restrição pelo lado da oferta mantenha forte a demanda por animais para atender às exportações de carne bovina deste ano”, concluiu a entidade.
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