RJ do Grupo Santa Fé, de Goiás, é convertida em recuperação extrajudicial

Dívida de mais de R$ 200 milhões da empresa de Pedro Merola é alongada para dez anos, com carência de 18 meses
Fernando Lopes

O Tribunal de Justiça de Goiás homologou a conversão do processo de recuperação judicial do Grupo Santa Fé, controlado pelo empresário Pedro Merola, em recuperação extrajudicial. A estratégia para a mudança de status foi conduzida pela EXM Partners e contou com o apoio do número necessário de credores do grupo, incluindo o Banco do Brasil. A dívida renegociada supera R$ 200 milhões.

“A conversão para o modelo extrajudicial exigiu não apenas uma modelagem técnica sólida, mas também articulação com credores estratégicos e um entendimento profundo das dinâmicas do mercado. Nosso papel foi unir técnica e relacionamento para acelerar um processo que, via Judiciário, levaria muito mais tempo e geraria mais desgaste para todos os envolvidos”, afirma Eduardo Scarpellini, sócio fundador da EXM Partners, em nota.

Segundo a EXM, o acordo com os credores não prevê desconto dos valores devidos, apenas o alongamento de prazos de pagamento e a correção da concentração das datas de vencimento, que vinha comprometendo o caixa do grupo goiano, cujo foco está na pecuária. O prazo passou a ser de dez anos, com carência de 18 meses – “seguida por pagamento apenas de juros e, posteriormente, amortização do principal, conforme a geração de caixa projetada”. A proposta foi aprovada por 65,71% dos credores da Classe II (garantia real) e por 56,69% da Classe III (quirografários).

“Outro destaque foi a extensão do prazo de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) estruturado por mais quatro anos, medida que contribui para a recomposição do fluxo de caixa. O acordo inclui ainda um mecanismo de ganho compartilhado: caso a performance do Grupo Santa Fé supere as projeções, 50% do excedente será destinado anualmente à antecipação do pagamento da dívida”, informou a EXM. O CRA em questão é de pouco mais de R$ 50 milhões.

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