SLC compra Sierentz Agro e amplia área arrendada de produção no Matopiba e no Pará

Negócio, que depende do aval do Cade, inclui 96 mil hectares e foi fechado por US$ 135 milhões; 33 mil hectares serão vendidos, por R$ 191 milhões
Fernando Lopes

A SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de grãos e fibras do país, informou nesta sexta-feira que assinou contrato para adquirir 100% da Sierentz Agro Brasil, empresa que cultiva soja e milho e cria gado no sistema de integração lavoura-pecuária. O negócio, que depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), foi fechado por US$ 135 milhões (mais ou menos capital de giro, menos a dívida líquida, com base no balanço a ser apurado em 30/06/2025) e inclui máquinas e equipamentos.

Segundo a SLC, a operação da Sierentz se concentra em 96 mil hectares arrendados no Maranhão (68 mil hectares), no Piauí (18 mil hectares) e no Pará (10 mil hectares). Como parte dessas áreas é apta a receber uma segunda safra, a SLC calcula um potencial de 135 mil hectares plantados. Os contratos de arrendamento em vigor têm prazo médio de 13 anos e custo médio anual de 9,3 sacas de 60 quilos de soja por hectare.

“A companhia informa que, na hipótese de confirmação e fechamento do negócio, em torno de 33 mil hectares físicos já possuem proposta vinculante para aquisição dos direitos de operação pela Terrus S.A., condição da transação. Essa operação deverá ser precedida de uma cisão parcial da Sierentz Agro Brasil Ltda., a ser viabilizada, procedidos os eventos contratuais acordados. O valor aproximado dessa transação é de R$ 191,2 milhões, mais ou menos o capital de giro. As máquinas e equipamentos pertinentes à operação dos 33 mil hectares físicos já estão inclusos no valor da transação”, informou a SLC.

Assim, a empresa vai operar, indiretamente, 66 mil hectares (cerca de 100 mil hectares, levando-se em conta a segunda safra), em três fazendas. O plantio de soja e milho será mantido, e o algodão será implantado após três anos de operação. A expectativa da SLC é assumir o controle das novas áreas em julho. “A nova operação permitirá um crescimento de 13% sobre a área plantada na safra 2024/25 e fortalece a estratégia de diversificação geográfica do portfólio de terras sobre gestão, visando dirimir riscos climáticos. Além disso, amplia nossa exposição em áreas arrendadas, passando a representar 66,5% da área física sob gestão da companhia”, afirmou a SLC.

Em teleconferência com analistas, Aurélio Pavinato, CEO da SLC, afirmou que as novas áreas em questão já são maduras e deverão apresentar produtividade em linha com as regiões em que estão implantadas. A partir da implantação do algodão, que exigirá investimentos ainda indefinidos, os retornos da SLC com a operação vão aumentar. A companhia normalmente busca retornos de pelo menos CDI + 5%. 

A SLC terá preferência na renovação dos contratos de arrendamento em vigor. Pavinato também disse aos analistas que a empresa buscará manter nos próximos anos uma divisão entre dois terços de áreas arrendadas e um terço de áreas próprias, e que, com isso, provavelmente a aquisição de novas áreas próprias também serão realizadas nos próximos anos.

A SLC encerrou os nove primeiros meses de 2024 com receita líquida de R$ 4,940 bilhões, 7% menos que em igual intervalo de 2023. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 30%, para R$ 1,247 bilhão, e o lucro líquido da companhia recuou 51,1%, para R$ 533,1 milhões. Os resultados foram diretamente influenciados pela retração dos preços dos grãos no ano passado. 

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