Soja será responsável por quase 70% do aumento do valor da produção no campo este ano

Segundo o Ministério da Agricultura, VPB deverá alcançar o recorde de R$ 1,414 trilhão no país em 2025, 11% mais que em 2024
Fernando Lopes

O Valor Bruto da Produção (VBP) da agropecuária brasileira deverá alcançar o recorde de R$ 1,414 trilhão em 2025, segundo estimativa divulgada na semana passada pelo Ministério da Agricultura. Em relação a 2024, quando o VBP somou R$ 1,274 trilhão (0,4% mais que em 2023), o aumento chega a 11%, ou R$ 139,8 bilhões, puxado por avanços tanto no resultado das principais lavouras cultivadas no país quanto pela pecuária.

Para os 17 cultivos agrícolas que fazem parte da conta, a previsão do ministério é que o VBP chegue a R$ 941,6 bilhões, com aumento também de 11% ante o ano passado. A estrela do grupo é a soja, cuja colheita deverá se recuperar nesta safra 2024/25 dos problemas climáticos que a limitaram em 2024. Para a oleaginosa, a estimativa é que o VBP aumente 13,4%, para R$ 341,6 bilhões – um salto de R$ 93,523 bilhões, ou 67% do aumento total previsto.para o VBP consolidado.

Ainda entre as lavouras, o ministério projeta crescimentos dos valores brutos da produção (“da porteira para dentro”) de milho (16,7%, para R$ 147 bilhões), cana (4%, para R$ 126,5 bilhões), café (46,1%, para R$ 116,4 bilhões), laranja (15,7%, para R$ 33,1 bilhões), mandioca (4,4%, para R$ 20,5 bilhões), feijão (0,5%, para R$ 15 bilhões), cacau (25%, para R$ 14 bilhões), amendoim (23,8%, para R$ 5,5 bilhões) e mamona (40,5%, para R$ 175 milhões).

Em contrapartida, há quedas estimadas para algodão (0,3%, para R$ 34,3 bilhões), arroz (7,2%, para R$ 23,4 bilhões), banana (9%, para R$ 20,4 bilhões), tomate (20%, para R$ 16,6 bilhões), uva (0,4%, para R$ 11,3 bilhões), trigo (8,2%, para R$ 9,8 bilhões) e batata inglesa (61,1%, para R$ 6,2 bilhões). 

Pecuária

Para as maiores cadeias produtivas da pecuária, a previsão do ministério é de VBP de R$ 472 bilhões em 2025, 10,9% mais que em 2024. Nessa frente, o destaque é o forte aumento previsto para os bovinos (21,8%, para R$ 206,2 bilhões), em virtude da mudança de ciclo de oferta de animais, que tende a ficar mais limitada. Mas também há altas previstas para frango (6,5%, para R$ 113 bilhões), suínos (4,6%, para R$ 58,8 bilhões) e leite ( 2,2%, para R$ 69,3 bilhões). No dos ovos, o governo projeta queda de 5,6%, para R$ 24,7 bilhões.   

O fator mais relevante no resultado deste levantamento, para os seis principais produtos que tiveram aumento na participação do VBP, foi o crescimento no preço para café, cacau e milho e o aumento na produção para mamona, amendoim e soja. Na pecuária, o aumento de preço foi o fator mais relevante, exceto para ovos, cujos preços deflacionados tiveram queda de 5,6%”, informou o Ministério da Agricultura, em comunicado.

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