Lavoro sente o efeito Agrogalaxy e vê resultado financeiro se deteriorar

RJ da concorrente elevou a aversão ao risco e enxugou crédito de fornecedores e bancos. Empresa vai fechar 70 lojas e já revê projeções para 2025
Fernando Lopes

Enquanto as perspectivas para o agronegócio brasileiro como um todo se mostram relativamente positivas, o varejo agrícola ainda sente os efeitos do pedido de recuperação judicial feito pela Agrogalaxy em meados de setembro do ano passado.

A bola da vez foi a Lavoro. A empresa listada em Nova York apresentou hoje seus resultados para o primeiro trimestre fiscal de 2025, encerrado no fim de setembro. Além dos números nada animadores, a empresa anunciou um corte significativo em suas projeções de vendas e o fechamento de lojas.

A receita consolidada com a venda de insumos era estimada entre R$ 7,7 bilhões e R$ 8,3 bilhões. O desempenho já representaria uma queda de 3,6%. Agora, a Lavora espera que sua principal categoria apresente uma receita entre R$ 5,9 bilhões e R$ 6,9 bilhões.

“Eventos de recuperação judicial, incluindo o de um grande varejista agrícola, desencadearam um aumento acentuado na aversão ao risco entre fornecedores e instituições financeiras, levando a um aperto significativo nas condições de financiamento de estoque para a Lavoro e outros pares da indústria”, disse Ruy Costa, ceo da Lavoro no comunicado distribuído ao mercado.

Durante a conferência com analistas, o executivo trouxe outra notícia pouco animadora. Se a estratégia de abertura de novas lojas estava em xeque, a ordem agora é fechar unidades. Serão 70 ao longo de 2025. Com a rede de distribuição mais enxuta e redução de custos, a expectativa é que os resultados comecem a aparecer no segundo semestre de 2025.

Resultados financeiros

Traduzindo a situação da Lavoro em números, a empresa viu seu prejuízo ser multiplicado por seis no primeiro trimestre. O resultado negativo de R$ 42,9 milhões no primeiro trimestre de 2024 subiu para R$ 269,2 milhões nos primeiros três meses do ano fiscal de 2025.

A receita da companhia no período encolheu 13%, para R$ 2,05 bilhões. O resultado reflete a queda de 9% na venda de insumos e de 52% na receita de grãos, associada às operações de barter. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou positivo em R$ 54,4 milhões, 5% menor que o registrado no mesmo período do ano passado.

“Olhando para o futuro, enquanto navegamos por essas interrupções de curto prazo, continuamos comprometidos em executar os fatores sob nosso controle e implementar medidas estratégicas para garantir que a Lavoro esteja bem posicionada para capitalizar, à medida que os primeiros sinais de recuperação do mercado final continuam a ganhar força”, disse Cunha.

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