Rússia barra 101 toneladas de carne bovina do Brasil com ivermectina

Rosselkhoznadzor identificou resíduos do medicamento em lotes de duas unidades da Minerva Foods e uma da Plena Alimentos
Fernando Lopes
(Crédito: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar)

Ela está de volta. Famosa na década passada por ser a grande responsável por embargos às exportações de carne bovina, a ivermectina voltou a ser encontrada em lotes embarcados por empresas brasileiras ao exterior. 

O Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) notificou o governo brasileiro sobre a identificação de quatro casos. Pouco mais de 101 toneladas de produtos foram barradas no terminal de contêineres de São Petersburgo entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano. 

Desse total, 56 toneladas foram exportadas pela Plena Alimentos a partir da unidade de Paraíso do Tocantins (TO). As demais 45,8 toneladas partiram de plantas da Minerva Foods, sendo 17,6 toneladas de José Bonifácio (SP) e 28,2 toneladas de Janaúba (MG).

O primeiro caso foi identificado pelo Rosselkhoznadzor em 10 de dezembro do ano passado no produto da Plena. Uma amostra de dois quilos pertencente a um lote de 28 toneladas de carne bovina desossada e congelada apresentou 2 microgramas por quilo de ivermectina.

Dois dias depois, um segundo lote da Plena Alimentos, também de 28 toneladas, apresentou a presença de 5,8 microgramas de ivermectina por quilo, na amostra coletada. Vale lembrar que a Rússia mantém uma política de tolerância zero para resíduos de ivermectina na carne.

Ambos os casos foram comunicados ao Ministério da Agricultura brasileiro em 28 de dezembro. Em carta endereçada ao secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, o chefe adjunto do Rosselkhoznadzor, Konstantin Savenkov, diz que restrições podem ser impostas à empresa caso situações semelhantes voltem a acontecer.

Procurada, a Plena Alimentos não retornou ao pedido de entrevista e posicionamento sobre os casos até o fechamento dessa reportagem. O espaço segue aberto e o texto será atualizado assim que houver o posicionamento.

Os lotes envolvendo a Minerva Foods são mais recentes. Em 22 de janeiro, 28,2 toneladas de subprodutos bovinos, originários  da planta de Janaúba (MG) foram fiscalizadas em São Petersburgo. A amostra coletada apresentou a presença de 4,7 microgramas de ivermectina por quilo.

No mesmo dia, uma carga de 17,6 toneladas, também de subprodutos bovinos, partindo de José Bonifácio, no interior de São Paulo, foi barrada. A amostra identificou a presença de 2,3 microgramas de ivermectina por quilo.

Em nova carta ao governo brasileiro, Savenkov disse que a identificação de ivermectina na carne exportada pelo Brasil “constitui uma infração aos requisitos veterinários e sanitários da União Econômica Eurasiática e da Federação Russa”. Por esse motivo, o Rosselkhoznadzor decidiu por alterar o status de vigilância aplicado às unidades da Minerva para um nível de “controle laboratorial reforçado”.

Procurada, a Minerva Foods informou que segue um rigoroso processo de produção, alinhados às normas das autoridades sanitárias de cada país onde atua. “Em caso de notificações, contamos com um protocolo interno bem estruturado para investigar e avaliar possíveis ajustes em nossas operações”, disse a empresa. Veja abaixo o posicionamento completo.

A presença de ivermectina na carne exportada pelo Brasil não é um fato novo. Em 2010, após detecção de níveis acima do permitido em um lote de carne industrializada, os Estados Unidos embargaram as importações do produto brasileiro. A restrição foi suspensa após sete meses, em 27 de dezembro de 2010. Naquele ano, os embarques para o mercado americano recuaram mais de 20%, com prejuízos superiores a US$ 100 milhões.

Um ano depois, um novo caso de ivermectina acima dos níveis aceitáveis na carne exportada para os Estados Unidos foi identificado. Em novembro de 2011, uma audiência pública chegou a ser realizada em Brasília envolvendo frigoríficos, pecuaristas e as indústrias farmacêuticas.

Frigoríficos na mira

O governo russo não é o único a reforçar a vigilância sobre os frigoríficos brasileiros. No mês passado, o Serviço de Segurança e Inspeção de Alimentos (FSIS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que também reforçaria a fiscalização sanitária. Problemas de qualidade e presença de “corpos estranhos” foram registrados em embarques realizados por unidades da JBS e da Minerva.

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“Nosso processo de fabricação é conduzido com rigor, seguindo procedimentos operacionais de higiene, práticas de biossegurança e medidas eficazes para prevenir a contaminação cruzada em todas as unidades.

Todas as nossas operações seguem protocolos de segurança rigorosos, alinhados às normas das autoridades sanitárias de cada país onde atuamos, garantindo os mais altos padrões de higiene e controle sanitário em todas as etapas da produção.

Em caso de notificações, contamos com um protocolo interno bem estruturado para investigar e avaliar possíveis ajustes em nossas operações”.

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