China reconhece Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação

Exportadores de carnes bovina e suína acreditam que medida dará mais segurança às relações comerciais bilaterais
Fernando Lopes

O Ministério da Agricultura informou nesta terça-feira que a China reconheceu oficialmente o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação. A decisão de Pequim veio um ano depois de o Brasil ter obtido esse reconhecimento junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), mas não deixa de ser um sinal de fortalecimento das relações sanitárias e comerciais entre os dois países. A China é o principal destino das exportações do agro brasileiro, com importações que superaram US$ 50 bilhões no ano passado.

“Iniciamos 2026 com o reconhecimento, pela China, do status de país livre de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) para a carne bovina brasileira e, agora, recebemos com grande satisfação a notícia do reconhecimento do status de livre de febre aftosa sem vacinação. Esse reconhecimento sanitário é fundamental para avançarmos nas discussões técnicas relacionadas a diversos produtos das cadeias bovina e suína, permitindo a diversificação do portfólio exportado e contribuindo para melhorar o desempenho econômico dessas cadeias produtivas”, afirma o secretário de Defesa Agropecuária do ministério, Carlos Goulart, em nota.

Antes do reconhecimento de hoje, apenas o Estado de Santa Catarina tinha o status de livre de febre aftosa sem vacinação perante as autoridades chinesas, observa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Agora, no caso da carne suína, plantas dos Estados do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso serão beneficiadas, com a expectativa de que um volume adicional de cerca de 40 mil toneladas de carne com osso e miúdos externos possa ser exportado. “E novas oportunidades poderão surgir para outros Estados, com potenciais futuras habilitações [de novas plantas]”, pontua a ABPA.

“Para a cadeia da carne bovina, a decisão traz ainda mais segurança e previsibilidade para o comércio entre Brasil e China. Principal destino das exportações brasileiras do produto, a China desempenha papel fundamental para o setor, e esse avanço reforça a confiança construída ao longo dos anos, criando condições para o aprofundamento das relações comerciais e para a geração de mais oportunidades ao longo de toda a cadeia produtiva”, realçou a Associação Brasileiras das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

O ministério lembra que, durante missão presidencial à China em maio de 2025, os dois países também assinaram o Memorando de Entendimento entre o Ministério da Agricultura e Pecuária da República Federativa do Brasil e a Administração-Geral de Aduanas da República Popular da China na Área de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias, instrumento que fortalece a cooperação bilateral e amplia o diálogo sobre temas relacionados à sanidade animal e vegetal.

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