Plano de recuperação extrajudicial da Raízen é homologado pela Justiça

Companhia prevê o reperfilamento de dívidas financeiras quirografárias da ordem de R$ 61,4 bilhões.
Fernando Lopes

A Raízen, controlada por Cosan e Shell, informou ontem que o Juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca Central do Foro de São Paulo homologou o plano de recuperação extrajudicial apresentado pela empresa no início de junho, que prevê o reperfilamento de dívidas financeiras quirografárias da ordem de R$ 61,4 bilhões.

O plano prevê a conversão de parte dos créditos em participação na companhia, um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões por parte dos controladores, reorganizações societárias, venda de ativos, que já está em curso, e separação dos negócios de distribuição de combustíveis e de energia.

A Raízen encerrou seu exercício 2025/26, em março, com prejuízo líquido de R$ 27,135 bilhões, mais de seis vezes superior ao de 2024/25. A empresa registrou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 11,273 bilhões, em queda de 2,3% na comparação, e receita líquida de R$ 225,849 bilhões, com retração de 11,5%. Em 31 de março, sua dívida líquida totalizava R$ 58,229 bilhões.

Apesar das pioras, diretamente influenciadas pelo aumento das despesas financeiras derivado do maior saldo de seu endividamento e da taxa média do CDI e por despesas não recorrentes associadas ao próprio processo de recuperação, a Raízen destacou, quando divulgou os resultados, que registrou avanços em todos os segmentos de negócios, que incluem a produção de açúcar e bioenergia e distribuição de combustíveis no Brasil e na Argentina.

“Reduzimos custos e despesas em aproximadamente R$ 1 bilhão, avançamos com rigor na alocação de capital, reduzindo o capex em R$ 3,3 bilhões em relação ao ano anterior, e demos passos relevantes na readequação do portfólio, com impacto positivo estimado de R$ 12 bilhões na posição financeira – sendo cerca de 40% já capturados e 60% a serem reconhecidos com o fechamento da venda dos ativos na Argentina”.

Depois da divulgação dos resultados de 2025/26, a companhia informou que assinou contrato para a venda da Usina Caarapó, localizada no município sul-mato-grossense de mesmo nome, para a Adecoagro Vale do Ivinhema. A operação foi fechada por R$ 760 milhões e inclui a cessão de cana-de-açúcar e dos contratos com fornecedores que atendem à unidade.

 

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