Agrishow: Gohobby prevê dobrar vendas de drones no Brasil em 2025

Parceira da chinesa DJI, empresa vê demanda aquecida, particularmente no agronegócio
Fernando Lopes

“O trabalho virou hobby, e o hobby virou trabalho”. Assim Adriano Buzaid, de 36 anos, resume a jornada que o levou, há 15 anos, a fundar a Gohobby, que hoje lidera a distribuição de drones na América Latina. Com a importação de modelos fabricados pela chinesa DJI, de quem é parceira desde 2013, a empresa brasileira faturou quase R$ 150 milhões em 2024, quase 100% mais que em 2023. E diante da demanda aquecida, particularmente no setor de agronegócios, prevê novamente dobrar de tamanho em 2025.

A trajetória do empresário Buzaid começou quando, aos 22 anos, o piloto de automobilismo Adriano decidiu trocar o cockpit pelo mundo dos negócios. Ele havia se mudado para a Inglaterra aos 17 anos e, enquanto acelerava na Fórmula Ford, na Fórmula Renault e na Fórmula 3, desenvolvia o gosto por helicópteros e aviões de controle remoto. Em 2010, o hobby virou trabalho e nasceu a Gohobby, que poucos depois passou a apostar no ainda incipiente mercado de drones, que mais tarde viraria uma febre.

Os modelos importados pela companhia são usados em setores como indústria, segurança, engenharia, energia, eventos e inspeções em geral. No agronegócio, os drones tornaram-se mania pela redução de custos que proporciona para o monitoramento de lavouras e, principalmente, na pulverização de insumos. “É uma tecnologia que melhora a eficiência da operação, com retorno rápido”, afirmou Buzaid ao NPagro. Mais de 40% dos drones cadastrados no Brasil são usados na agricultura, num mercado que girou R$ 1,5 bilhão em 2022 e poderá chegar a R$ 10 bilhões em 2027 .

Em 2024, informou Buzaid, a Gohobby vendeu cerca de mil drones agrícolas no mercado brasileiro, que foram responsáveis por 54% de seu faturamento total. Os preços dos modelos utilizados no campo variam de R$ 120 mil a R$ 200 mil, incluindo três baterias e carregador. A capacidade dos tanques que carregam os defensivos vai de 20 a 40 litros, e são a precisão e a agilidade dos equipamentos que garantem a economia da operação. Enquanto uma bateria garante um voo de cerca de dez minutos para pulverização de insumos, outra está sendo carregada para que o drone volte a voar após um breve “pit stop”.

De acordo com o empresário, os equipamentos são usados sobretudo por produtores de soja, milho, arroz, banana, laranja e café, além de pastagens, e boa parte das vendas é em Estados como Rondônia e Pará. Os mais recentes lançamentos da DJI estão à mostra na Agrishow e a expectativa da Gohobby, que oferece cursos de capacitação a produtores rurais, é sair da feira com uma polpuda carteira de pedidos para turbinar seu crescimento este ano.

Em tempo: O antigo trabalho virou hobby, e Adriano Buzaid não abandonou as pistas. Em maio, por exemplo, o empresário/piloto estará em um dos carros esportivos que vão participar das primeiras etapas do Endurance Brasil, no autódromo de Interlagos, em São Paulo. 

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