A Agrishow 2025 começou e o primeiro dia da feira deixou uma sensação de ressaca entre as principais fabricantes de máquinas e implementos agrícolas. Os juros elevados e as incertezas em relação ao desenrolar do Plano Safra têm deixado os produtores mais cautelosos em relação a novos investimentos.
Em tese, a colheita recorde de grãos da safra 2024/05, os preços mais altos do que os inicialmente projetados para milho e soja e a consequente melhora da renda seriam motivos para euforia pelas ruas da feira. Contudo, não é isso que se viu no primeiro dia da Agrishow.
“Está muito difícil para o produtor pagar o investimento do passado em um fluxo [de capital] de hoje. A margem chegou aos 40% e hoje está de volta aos 20%, 25%, historicamente média do setor. O que temos agora é uma ressaca, que vai demorar de duas a três safras boas para passar”, disse Carlos Aguiar, diretor de Agronegócios do Santander.
Ele lembra que durante o período em que os juros no Brasil chegaram a 2%, aliado a margens muito elevadas, o produtor se endividou, investiu e expandiu a área. Agora, as contas começaram a vencer e mesmo com margens dentro da normalidade, o fluxo de caixa ficou comprometido.
Diante desse quadro, as grandes fabricantes de máquinas agrícolas estão sendo obrigadas a encontrar alternativas para, pelo menos, manter o patamar de vendas de 2024. As possibilidades vão desde formas alternativas de negociação até a comercialização de kits para atualização tecnológica do parque de máquinas existente.
É o caso da John Deere. A gigante americana sentiu o impacto da alta de juros em suas vendas e tem apostado em kits que podem ser instalados, inclusive, em equipamentos de marcas concorrentes.
Segundo Antônio Carrere, vice-presidente de vendas para América Latina da John Deere, a empresa se tornou em 2025 a maior vendedora de kits para atualização de máquinas do Brasil. “É um produto voltado para quem não quer comprar uma máquina nova, mas quer se manter atualizado com as mais modernas tecnologias disponíveis”, disse.
Na AGCO, duas das suas principais marcas também correm para não ficar para trás. A Massey Ferguson, as fichas estão sendo colocadas no banco de fábrica, linhas de financiamento em dólar que têm apresentado taxas de juros mais atraentes e até mesmo linhas que espelham as oferecidas pelo BNDES.

“Temos que buscar alternativas, oferecendo linhas para todo perfil de agricultor. O consórcio, por exemplo, representa hoje 20% dos nossos negócios e tende a crescer essa fatia. Além disso, temos observado a antecipação de compras por aqueles produtores que têm condição”, disse Kellen Bormann, diretora de vendas da Massey.
Já na Fendt, focada em máquinas de média e grande potência, as vendas à vista e linhas em dólar têm sido as opções mais procuradas. Segundo Marcelo Traldi, vice-presidente da Fendt na América Latina, a marca tem centrado seus esforços em culturas que sofreram tanto com a alavancagem percebida no segmento de grãos, caso da cana, café e citros. “Temos que estar preparados para oferecer alternativas. O Brasil tem diferentes regiões e culturas que dão a possibilidade para manobras”, disse o executivo.
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