Bloqueio de recursos do seguro rural amplia preocupações no agro

Governo decidiu congelar R$ 461,7 milhões; SRB lembra que medida se soma a outras dificuldades enfrentadas pelo setor
Fernando Lopes
(Crédito: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar)

A decisão do governo federal de bloquear quase metade dos recursos previstos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) em 2026 engrossou a lista de dificuldades e incertezas que paira sobre o agro brasileiro há poucos meses do início do plantio de mais uma safra de grãos. A medida congelou R$ 461,7 milhões, valor já considerado pequeno diante de uma demanda calculada em alguns bilhões de reais. 

“O seguro rural é uma das mais importantes políticas públicas de gestão de risco para o setor agropecuário. Em um cenário marcado pelo aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos, a previsibilidade e a disponibilidade de recursos para o programa são fundamentais para garantir segurança ao produtor, estabilidade da produção de alimentos e acesso ao crédito rural, além de ser um dos principais fatores quanto à segurança alimentar para as exportações brasileiras aos clientes internacionais”, lamenou a Sociedade Rural Brasileira (SRB), em nota.

A entidade lembra que a redução dos recursos destinados ao PSR acontece em um momento em que os produtores brasileiros já enfrentam elevados custos financeiros e restrições de crédito, e ainda enfrentam a ameaça de ocorrência do fenômeno climático El Niño. “O enfraquecimento do programa tende a ampliar a exposição dos agricultores e pecuaristas aos riscos inerentes à atividade, comprometendo investimentos, produtividade e renda no campo e impactando números de produtividade e rentabilidade das safras”, reforçou a SRB.

No ano passado, um bloqueio semelhante de recursos do PSR reduziu a cobertura do seguro rural para 3% da área de plantio, ante um percentual que alcança cerca de 90% nos Estados Unidos, por exemplo. “A recorrência dos bloqueios nos recursos destinados ao seguro rural transmite um sinal preocupante ao setor. Ao reduzir uma das principais ferramentas de proteção da atividade agrícola, especialmente para os pequenos e médios produtores, o poder público enfraquece uma política essencial para a gestão de riscos no campo”, afirmou o SRB.

 

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