Boa Safra tem melhor início de ano desde 2020

Companhia quer deixar para trás o título de “empresa mais sazonal da bolsa” com a diversificação do portfólio de produtos
Fernando Lopes

Conhecida por sazonalmente ter um início de ano sempre no vermelho, a Boa Safra começa a reverter esse histórico. A empresa encerrou o primeiro trimestre de 2025 com um lucro líquido de R$ 718 mil, revertendo o prejuízo de R$ 5,84 milhões do mesmo período de 2024.

A mudança de cenário se deve à estratégia da companhia de apostar na diversificação dos produtos comercializados, introduzindo ao seu portfólio sementes de outras culturas, além da já conhecida soja.

Assim, a receita líquida da Boa Safra no período cresceu 90%, para R$ 131,2 milhões. Contudo, operacionalmente os resultados ainda ficaram negativos. O Ebitda da companhia no período ficou negativo em R$ 28,6 milhões, uma melhora de 2,14% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

“Vamos perder o título de empresa mais sazonal da bolsa. A gente começa a ver um novo formato de resultado da companhia, evidenciado pela diversificação de nosso portfólio”, disse Felipe Marques, CFO da Boa Safra.

Segundo o executivo, a Boa Safra começa a ter um nível de resultado de outros negócios sendo relevante, indo além do faturamento tradicionalmente registrado na segunda metade do ano. Essa diversificação rendeu à companhia uma receita de R$ 72 milhões com a venda de sementes de sorgo, feijão, trigo, milho e sementes de cobertura.

Apesar do peso que as outras culturas passam a ter, a Boa Safra não vai abrir mão da soja. Ao final de março, a carteira de pedidos da companhia atingiu R$ 1,4 bilhão, apenas com as vendas de seu carro-chefe. O volume representa um crescimento de 40% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Para as demais culturas, a carteira de pedidos alcançou aproximadamente R$ 17 milhões.

Diferente do que aconteceu no ano passado, quando a estiagem atrapalhou os negócios da empresa, levando a uma queda nos resultados finais, o clima tem se mostrado positivo. “O que vimos de atraso nas chuvas no ano passado, um plantio mais tardio, isso não ocorreu este ano”, disse Marques.

Do ponto de vista de recebimentos e liberações de crédito, o executivo disse que a empresa voltou à normalidade. O cenário positivo para a produtividade da soja na safra 2024/25 e preços ligeiramente superiores ao ano passado têm permitido um crescimento na renda e a geração de receita para irrigar o sistema. 

“Não vamos ter um ano catastrófico como muita gente imaginou, mas cada empresa terá sua particularidade. Quem tiver as melhores condições vai ter preferência no recebimento. Parece que vamos ter um ano melhor do que tivemos no ano passado”, disse Marques.

Entre as estratégias a serem seguidas está a diversificação dos pontos de venda. As grandes redes que chegaram a representar 41% das vendas da Boa Safra já caíram para 19% em 2024. E a tendência é seguir pulverizando as vendas. 

No mercado, havia uma dúvida sobre o quanto essa redução de vendas para grandes contas, como Lavoro e Agrogalaxy, resultaria no crescimento das vendas. Para Marques, a resposta foi dada neste primeiro trimestre. 

“A gente está dando uma resposta, crescendo 40% [na carteira de pedidos], mesmo tendo uma participação menor em grandes contas. O mercado como um todo está avaliando essa questão da consolidação [dos distribuidores] que estava ocorrendo. A gente não sabe qual será o desfecho, mas vamos ter uma mudança muito grande”, disse.

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