Brasil deverá responder por mais de 40% da produção global de soja

Segundo o USDA, participação do país nas exportações mundiais do grão deverá atingir 58%
Fernando Lopes

A piora do cenário para a produção de soja na Argentina e no Paraguai levou o Departamento de Agricultura (USDA) a reduzir em 3,5 milhões de toneladas sua estimativa para a colheita global de soja nesta safra 2024/25 em relação aos números divulgados em janeiro. Segundo o relatório deste mês do órgão, o volume deverá alcançar 420,8 milhões de toneladas, ainda 6,5% mais que em 2023/24, ou 25,8 milhões de toneladas, e um novo recorde histórico.

O salto é puxado pelo Brasil, líder do mercado mundial da oleaginosa. Após os problemas climáticos que prejudicaram lavouras no país no ciclo passado, sobretudo em Mato Grosso, a produção de soja do país está calculada pelo USDA em 169 milhões de toneladas em 2024/25, com aumento de 10,5%, ou 16 milhões de toneladas, ante 2023/24. Assim, a participação brasileira no volume mundial deverá subir de 38,7% para 40,2%.

Para a Argentina, contudo, o USDA cortou sua previsão de colheita em 2024/25 em 3 milhões de toneladas, para 49 milhões (1,6% mais que em 2023/24), e no caso do Paraguai a redução foi de 500 mil toneladas, para 10,7 milhões (2,7% menos que em 2023/24). Nos Estados Unidos, a colheita, já encerrada, gerou 118,8 milhões de toneladas em 2024/25, 4,9% acima da temporada anterior.

No que se refere às exportações do grão, o USDA prevê para o Brasil 105,5 milhões de toneladas em 2024/25, com alta de 1,3% ante o ciclo anterior. O volume equivale a 58% dos embarques mundiais projetados (182 milhões de toneladas). As exportações dos EUA, por sua vez, deverão somar 49,7 milhões de toneladas (+3,3%), os da Argentina tendem a atingir 4,5 milhões de toneladas (-11,9%), e os do Paraguai, 7,3 milhões de toneladas (-8,6%).

A China permanece como principal país importador de soja, com compras estimadas pelo USDA em 109 milhões de toneladas em 2024/25 (60,8% do volume total de importações), 3 milhões a menos que em 2023/24. Em geral, a relação global entre oferta e demanda de soja é confortável na atual safra, o que colabora para manter as cotações do grão sob pressão no mercado internacional.

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