A BrasilAgro, que atua nas áreas de compra de venda de propriedades rurais e de produção de grãos, fibras e bioenergia, encerrou o quarto trimestre de seu exercício 2026, em junho, com prejuízo líquido de R$ 13,9 milhões, ante lucro de R$ 61,3 milhões em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia caiu 11%, para R$ 56,6 milhões, e sua receita líquida total recuou 20%, para R$ 289,5 milhões.
A empresa não realizou negócios no segmento imobiliário no quarto trimestre, o que influenciou os resultados divulgados já que entre abril e junho de 2025 houve receita de R$ 112 milhões nessa frente. Na área operacional, o Ebitda ajustado foi positivo em R$ 56,6 milhões, ante Ebitda negativo de R$ 0,1 milhão no segundo trimestre do exercício anterior, sustentado pelo maior volume de soja comercializado, reflexo do carregamento de estoques, e pelo resultado positivo com operações de derivativos.
Em todo o ano-fiscal 2026, a BrasilAgro registrou prejuízo líquido de R$ 90 milhões, ante lucro de R$ 138 milhões em 2025, Ebitda ajustado de R$ 99,3 milhões, em queda de 63%, e receita líquida total de R$ 926,7 milhões, com retração de 25%. “O resultado consolidado (…) refletiu a menor contribuição do segmento imobiliário em comparação ao exercício anterior e o maior custo da dívida em um cenário de juros elevados”, realçou a empresa, em comunicado. A receita com venda de fazendas diminuiu 98% entre os exercícios, para R$ 4,1 milhões.
Enquanto aguarda novas oportunidades no mercado imobiliário, na área operacional a BrasilAgro deu início ao plantio da safra de grãos 2026/27 de olho no El Niño. “A área total estimada é de 165.208 hectares, 1% abaixo da safra 2025/26. No mix de culturas, destacam-se a redução de 70% na área de algodão de primeira safra, a saída do feijão safrinha e a redução de 5% na área de soja. Em contrapartida, a área de milho de primeira safra aumenta 22%, enquanto o algodão safrinha avança 36%, majoritariamente em áreas irrigadas, além da ampliação de 21% das áreas de pastagem”, informou a companhia.
A BrasilAgro também pontuou que, em abril, iniciou a colheita da safra 2026/27 de cana, e que até o dia 30 daquele mês o volume chegou a 273,7 mil toneladas, menos da metade do total do ciclo anterior. “O menor volume colhido no período (…) está relacionado à redução do ritmo de moagem das usinas, diante dos menores preços de açúcar e etanol. Como consequência, aproximadamente 280 mil toneladas previstas para serem colhidas no trimestre tiveram sua colheita postergada para os próximos trimestres”.
Apesar dos percalços, em 30 de junho o valor de mercado do portfólio da empresa, segundo avaliação interna, alcançou R$ 3,34 bilhões, 8,2% mais que um ano antes. “Do aumento de R$ 252,2 milhões, R$ 143,2 milhões correspondem à valorização das mesmas áreas nos dois exercícios , alta de 4,7% e R$ 109,0 milhões à retomada de 4.092 hectares da Fazenda Rio do Meio, em razão do distrato do contrato de venda celebrado em 2022. Medido em sacas de soja, métrica utilizada para reduzir os efeitos das variações do preço da commodity e do câmbio, o portfólio das mesmas áreas avançou 5,8%”, destacou a companhia.
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