Chuvas prejudicaram moagem de cana no Centro-Sul em abril

Segundo a Unica, volume processado caiu 33% no mês, para 34,3 milhões de toneladas
Fernando Lopes

O excesso de chuvas em parte do Centro-Sul do país prejudicou a moagem de cana das usinas da região no início desta safra 2025/26. De acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), na segunda quinzena de abril o volume alcançou 17,7 milhões de toneladas, 49,4% menos que em igual intervalo de 2024, e em todo o mês passado foram processadas 34,3 milhões de toneladas da matéria-prima, uma redução de 33% ante um ano antes.

“Em razão das condições climáticas desfavoáveis à operacionalização da colheita, principalmente devido às chuvas no oeste de São Paulo e nos Estados do Mato Grosso do Sul e Paraná, o ritmo da moagem na segunda metade de abril ficou aquém do processamento histórico de cana-de-açúcar para o período”, afirmou Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da Unica, em nota.

Na segunda metade de abril, conforme a entidade, 44 unidades produtoras iniciaram os trabalhos desta temporada, elevando o total já em operação para 222 plantas – 205 com processamento de cana, dez com fabricação de etanol de milho e sete usinas flex, aquelas que processam cana e milho. 

A retração da moagem resultou na produção de 1,6 milhão de toneladas de açúcar em abril, uma queda de 38,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em igual comparação, a produção total de etanol recuou 19%, para 1,9 bilhão de litros – 1,4 bilhão de litros de etanol hidratado (usado diretamente nos tanques dos veículos) e 465,1 milhões de litros de anidro (misturado à gasolina).

Vendas de etanol

Ainda segundo a Unica, as vendas de etanol por parte das usinas do Centro-Sul chegaram a 2,8 bilhões de litros no mês passado, uma queda de 3,5% ante abril de 2024. A redução foi motivada por uma queda de 6,4% na comercialização de hidratado, para 1,83 bilhão de litros, uma vez que no caso do anidro houve incremento de 2,8%, para 946,8 milhões de litros.

As vendas de etanol hidratado no mercado doméstico recuaram 4,1% na comparação, para 1,81 bilhão de litros, mas o resultado foi considerado positivo pela Unica. “O patamar mais elevado de etanol hidratado vendido no mercado interno se manteve no mês de abril e reflete a elevada competitividade do biocombustível nas bombas. O diferencial relativo de preços do etanol hidratado e da gasolina nos postos revendedores está em 68,3% na média do país, oferecendo uma alternativa viável para o consumidor brasileiro economizar e descarbonizar”, disse Rodrigues.    

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