CLI conclui emissão de debêntures para ampliação de terminal em Santos

Empresa também aguarda sinal verde das autoridades para a expansão do Tegram, no Maranhão
Fernando Lopes
Caminhão movido a gás natural liquefeito movimenta grãos no Tegram, no porto de Itaqui. (foto: Divulgação)

A CLI Sul, braço da empresa Corredor Logística e Infraestrutura (CLI) que atua no porto de Santos, no litoral paulista, concluiu na última semana de fevereiro a emissão de debéntures simples, não conversíveis em ações, no valor de R$ 300 milhões. A operação foi coordenada por BTG e Bradesco BBI, tem prazo de dez anos e os papéis serão atualizados monetariamente pela variação do IPCA, mais 8,5% ao ano. Os recursos serão destinados ao projeto de expansão e modernização do terminal administrado pela subsidiária.

Gabriel Motta, CFO e diretor de Relações com Investidores da CLI, lembra que o projeto em Santos prevê investimentos totais da ordem de R$ 600 milhões, a serem aportados nos próximos três anos. As obras deverão ser concluídas até 2029, e incluem a troca do shiploader do terminal, a troca e modernização de esteiras, a construção de um novo centro de controle, um novo armazém graneleiro e um novo centro de recepção rodoviário. Quando as obras terminarem, a capacidade da companhia em Santos aumentará para 19 milhões de toneladas de soja, milho e açúcar por ano.

Em 2022, quando a CLI adquiriu 80% do terminal, que era da Rumo – a empresa do grupo Cosan manteve uma fatia de 20% -, a capacidade era de 12,9 milhões de toneladas. Melhorias realizadas em 2023 e 2024 já ampliaram a capacidade para 15,4 milhões de toneladas, e para 2025 está previsto um incremento apenas marginal, a partir de ganhos de eficiência – e desde que o clima colabore para as produções de grãos e açúcar no campo e para as operações no porto. Em 2024, a receita líquida da CLI Sul alcançou R$ 745,6 milhões, 11% mais que em 2023, e o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) cresceu 28%, para R$ 405,2 milhões.

Enquanto a CLI Sul se prepara para iniciar a expansão de seu terminal em Santos, a CLI Norte aguarda o sinal verde das autoridades para a expansão do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), no porto de Itaqui. A CLI é uma das quatro operadoras do Tegram, e um plano de investimentos de R$ 1,3 bilhão está em gestação já há alguns anos para elevar a capacidade total do terminal de 16 milhões de toneladas de grãos por ano para 24 milhões. Assim, a capacidade da CLI Norte passará de 4 milhões para 6 milhões de toneladas.

“Em Itaqui, já estamos perto de nosso limite operacional”, afirmou Marcos Pepe Bertoni, COO da CLI Norte, ao NPagro. Nesta segunda-feira, informou, a empresa se reuniu com técnicos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), e o processo evoluiu. A expectativa da CLI é que a expansão seja aprovada neste primeiro semestre. Enquanto isso, o foco está concentrado em ganhos de eficiência e em novidades mais sustentáveis como o início do recebimento de caminhões com grãos movidos a gás natural liquefeito (GNL).

De acordo com Denise Chagas Batista, gerente de Relações com Investidores e ESG da CLI, essa ação é pioneira em terminais portuários agrícolas, resultado de uma parceria com as empresas Virtu GNL e Scania Brasil. E faz parte do plano de descarbonização da CLI, que se comprometeu a reduzir em até 90% suas emissões até 2050. A expectativa é chegar a 1 milhão de toneladas de grãos transportados por caminhões GNL nos próximos dois anos. “Essa redução será equivalente à retirada de 6,2 mil carros das ruas por ano”, disse ela. O plano prevê investimentos de R$ 25 milhões até 2040. 

A receita líquida da CLI Norte aumentou 4% em 2024, para R$ 209,3 milhões, e o Ebitda da subsidiária registrou alta de 15%, para R$ 141,1 milhão. Assim, a receita líquida total da CLI chegou a R$ 954,9 milhões no ano passado, 9% acima de 2023, e o Ebitda consolidado da companhia subiu 25%, para R$ 546,3 milhões. Gabriel Motta observou, finalmente, que a CLI tem R$ 500 milhões em caixa e alavancagem abaixo de 2 vezes, fatores importantes para uma empresa com projetos de investimento em curso.

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