Um ano de volumes menores, preços mais baixos – mas ainda atraentes – e muita atenção aos custos. É o que espera para 2026 a mineira Cooxupé, maior cooperativa de produtores de café do país, segundo cenário traçado nesta quinta-feira durante a abertura da Femagri, feira de máquinas, implementos e insumos agrícolas organizada pelo grupo em Guaxupé, onde está sua sede.
Em conversa com jornalistas, os principais executivos da Cooxupé, liderados pelo presidente Carlos Augusto Rodrigues De Melo, reiteraram que é preciso cautela diante das turbulências no front internacional. Com as oscilações de preços no mercado de fertilizantes, por exemplo, pregaram a necessidade de os produtores travarem preços com troca por sacas de café, e lembraram que problemas logísticos não estão descartados.
Até agora, porém, as exportações estão em ritmo normal, e a Cooxupé se prepara para a próxima safra. Luiz Fernando dos Reis, superintendente comercial da cooperativa, afirmou que o orçamento do grupo prevê que sejam expedidas 5,8 milhões de sacas de 60 quilos de café na temporada 2026, ante vendas de 6,4 milhões de sacas em 2025.
Do total previsto para este ano, as exportações deverão representar 4,4 milhões de sacas, contra 4,9 milhões em 2025, e o mercado interno tende a absorver 1,4 milhão de sacas, cerca de 100 mil a menos que no ano passado. As quedas refletem a redução da oferta de café no país no ciclo que está chegando ao fim e deverão ser mais aprofundadas neste primeiro semestre.
Com a entrada da safra nova brasileira, que deverá crescer, a Cooxupé espera uma recuperação dos volumes a partir do segundo semestre, com efeitos positivos também na primeira metade de 2027. Essa recuperação da oferta no Brasil tende a pressionar as cotações, mas a cooperativa acredita que os estoques globais estão baixos e que, ao fim e ao cabo, as cotações encontrarão sustentação.
Embora tenham registrado queda expressiva em relação aos patamares do ano passado, os preços internacionais do café, que estão em torno de US$ 300 por tonelada, são considerados atrativos pela Cooxupé. Dessa forma, os fatores considerados poderão levar o Brasil a recuperar participação nas exportações globais, que diminuiu de quase 39%, em 2024, para aproximadamente 30% em 2025.
Nessa caminho, o país e a Cooxupé também têm pela frente o desafio de retomar os níveis históricos de vendas de café aos Estados Unidos, prejudicados após o tarifaço imposto pela gestão de Donald Trump no ano passado – e que ainda sofrem ameaças por causa de investigações comerciais ainda em curso.
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