Conab volta a elevar estimativa para a colheita recorde de grãos nesta safra 2025/26

Liderado pela soja, volume total chegará a 358,6 milhões de toneladas, com aumento de 1,8% ante o ciclo 2024/25
Fernando Lopes
(foto: Tony Oliveira/Sistema CNA/Senar)

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou para 358,6 milhões de toneladas sua estimativa para a produção recorde de grãos no Brasil nesta safra 2025/26. O volume é pouco mais de 600 mil toneladas superior ao previsto anteriormente e, se confirmado, representará um aumento de 1,8% em relação ao ciclo 2024/25 (352,3 milhões de toneladas).

O incremento efetuado pela estatal foi influenciado por leves ajustes para cima nas projeções para soja e milho, os grãos mais cultivados no país. Para a soja, carro-chefe do agro brasileiro – e cuja colheita já está encerrada -, a Conab passou a trabalhar com 180,3 milhões de toneladas, 5,1% mais que na temporada passada. Para o milho, o volume total previsto cresceu para 140,5 milhões de toneladas, em baixa de 0,5%.

A nova conta para o milho refletiu um aumento para a colheita de verão, para 29,3 milhões de toneladas, com avanço de 17,7% na comparação com 2024/25. Para a safrinha, porém, a Conab reduziu o volume que está sendo colhido para 107,9 milhões de toneladas, que representa uma queda de 4,7% ante a produção do ano passado.

Para os demais grãos, as alterações trazidas pelo boletim divulgado nesta quinta-feira pela Conab foram ainda mais marginais. De acordo com a Conab, a produção de arroz tem queda de 13,2%, para 11,1 milhões de toneladas, a de feijão recuará 0,5%, para 3 milhões de toneladas, a de algodão em pluma registrará redução de 2,5%, para 4 milhões de toneladas, e a de trigo terá forte baixa de 20%, para 6,3 milhões de toneladas.

IBGE 

Nas contas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a colheita de grãos alcançará 350,4 milhões de toneladas em 2026, com crescimento de 1,2% em relação a 2024 e também um novo recorde. Soja, milho e arroz representam 92,8% do volume total previsto, e a região Centro-Oeste do país terá participação de 50,2% na produção, seguida pelo Sul (26,4%).

DE OLHO NO EL NIÑO

Entre todas as incertezas que cercam o plantio da próxima safra, entre as quais taxa de juros elevada, restrições de crédito, corte de verba para o seguro e custos de produção mais altos, a ocorrência do fenômeno climático El Niño é uma das que estão tirando o sono dos produtores de grãos.

Everton Molina Campos, diretor de marketing e inovação do Grupo Casa Bugre, que atua nas áreas de nutrifisiologia bioestimulação por meio das Agrilife Solutions e Krilltech, lembra que os modelos meteorolóficos mais consultados apontam probabilidade superior a 90% de estabelecimento do El Niño no segundo semestre, com possibilidade de persistência até 2027.

Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, o El Niño costuma reduzir o volume de chuvas, enquanto no Sul, a tendência é de precipitações acima da média. No Sudeste e no Centro-Oeste, há indicativos de condições mais secas especialmente durante a primavera.

“Em um ano em que o clima impõe variáveis fora do controle do produtor, o diferencial competitivo estará em preparar a lavoura para responder melhor ao que vier. E para isso, ciência aplicada à fisiologia vegetal deixou de ser diferencial , passou a ser necessidade”, afirma Campos.

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