Deferido o processamento do plano de recuperação extrajudicial da Raízen

Objetivo da empresa é reestruturar dívidas financeiras quirografárias de mais de R$ 65 bilhões
Fernando Lopes

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, informou que o Juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo deferiu ontem o processamento da recuperação extrajudicial da companhia, a maior do país até agora. Com a decisão, está confirmada a suspensão, por 180 dias, de todas as ações e execuções contra a empresa em relação aos créditos abrangidos pela medida, e a Raízen agora tem 90 dias para demonstrar o alcance do quórum necessário para a homologação do plano.

A Raízen protocolou o pedido de recuperação extrajudicial na última terça-feira, com o objetivo de negociar e implementar a reestruturação de dívidas financeiras quirografárias (sem garantias reais ou privilégios legais) no montante aproximado de R$ 65,1 bilhões, bem como outros créditos intercompany. Na ocasião, a companhia informou que o plano poderá envolver uma capitalização por parte de seus acionistas, a conversão de parte dos créditos em participação acionária, a substituição de parte dos créditos por novas dívidas, reorganizações societárias e mais vendas de ativos – o plano de desinvestimentos da Raízen representou cerca de R$ 5 bilhões em caixa até dezembro. 

Conforme a empresa, a recuperação extrajudicial não abrangerá dívidas e obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros de negócios, “essenciais para a operação e continuidade das atividades, as quais permanecem vigentes e continuarão sendo cumpridas normalmente nos termos dos respectivos contratos”. A Raízen encerrou o terceiro trimestre de seu atual exercício, em dezembro, com prejuízo líquido de R$ 15,645 bilhões, ante perda de R$ 2,571 bilhões em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 3,3%, para R$ 3,151 bilhões, enquanto a receita líquida diminuiu 9,7%, para R$ 60,392 bilhões. 

Em meio aos desinvestimentos e a adversidades climáticas, a moagem de cana da Raízen, caiu 23,2% no terceiro trimestre, para 10,6 milhões de toneladas. A produção de açúcar diminuiu 17,9%, para 671 mil toneladas, e a de etanol foi 19,3% mais baixa (503 mil metros cúbicos). A empresa também atua na área de distribuição de combustíveis.

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