Mesmo levando-se em consideração um aumento apenas marginal (0,1%) da demanda global, o balanço da atual temporada internacional de açúcar bruto (2025/26), que terminará no próximo mês de setembro, indica déficit de cerca de 800 mil toneladas, o que não tem sido suficiente para reverter a aguda queda de preços observada nos últimos meses. Mas, segundo a consultoria Datagro, esse déficit poderá crescer para 2,68 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, o que tende a abrir espaço para que os fundamentos prevaleçam sobre movimentos especulativos e ofereçam maior sustentação às cotações.
Em conversa com jornalistas na manhã desta quarta-feira, Plinio Nastari, presidente da Datagro, avaliou que, em boa medida, o aumento do déficit mundial previsto para 2026/27 decorre de condições de mercado que sinalizam que pelo menos a primeira metade do novo ciclo no Centro-Sul do Brasil, que terá início em abril, será mais “alcooleiro”, tendo em vista que o biocombustível está remunerando melhor as usinas do que o açúcar. Se confirmado o panorama, os estoques de açúcar cairão na região, e o excedente exportável do país, que responde por 75% das entregas globais de açúcar cru, certamente encolherá.
A Datagro estima que a moagem de cana atingirá 635 milhões de toneladas no Centro-Sul em 2026/27, 4% mais que em 2025/26 (610,5 milhões), mas que o mix “açucareiro” recuará de 50,7% para 48,5%. Assim, realçou Nastari, a produção de açúcar na região deverá se manter relativamente estável em 40,7 milhões de toneladas. Já no Norte e no Nordeste, onde as safras começam em setembro e terminam em agosto, a expectativa é que a produção de açúcar diminua 16% neste ciclo 2025/26, para 3,04 milhões de toneladas, o que reforça a perspectiva de retração da oferta da commodity.
Ainda conforme a Datagro, outros fornecedores globais importantes de açúcar não serão capazes de alterar de forma significativa o horizonte de déficit. A Índia, por exemplo, deverá produzir, no máximo, 30 milhões de toneladas de açúcar nesta safra 2025/26, 15% mais que em 2024/25 mas abaixo das 32,1 milhões de toneladas previstas inicialmente, em virtude do avanço da colheita em canaviais jovens e do maior florescimento nos polos de produção de Maharashtra e Karnataka. Para a temporada 2026/27, o desafio será o efeito do fenômeno El Niño sobre as chuvas de monção, e destas sobre o rendimento das plantações.
No caso da Tailândia, a Datagro projeta que a produção de açúcar crescerá menos que o esperado nesta safra 2025/26, que terminará em outubro, e chegará a 10,58 milhões de toneladas. Em 2026/26, a tendência é de baixa, para 9,72 milhões. Na União Europeia, a consultoria prevê produção de 15,72 milhões de toneladas no ciclo 2025/26 (outubro/setembro), em queda de 5%, e 14,1 milhões em 2026/27. Já na América Central a oferta está em recuperação na temporada atual, mas os volumes não deverão ser capazes de alterar o horizonte de déficit global.
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