Exportações brasileiras de algodão bateram recorde em março

Segundo a Anea, volume cresceu 45,4% ante o mesmo mês de 2025, para 347,8 mil toneladas, e receita chegou a US$ 530,1 milhões, em alta de 33,6%
Fernando Lopes

As exportações brasileiras de algodão superaram as expectativas e registraram, em março, os melhores resultados da história para o mês. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o volume dos embarques alcançou 347,8 mil toneladas, com alta de 45,4% em relação ao mesmo mês de 2025, e a receita subiu 33,6% na comparação, para US$ 530,1 milhões. 

“Um recorde de exportações em março desmonta o velho mito de que a capacidade de embarque brasileira se dá de setembro a dezembro. No final do terceiro trimestre, cravamos 350 mil toneladas de algodão exportado, que é muito positivo para o país”, afirma o presidente da Anea, Dawid Wajs, em nota. Ele observa que o avanço também representa uma recuperação após o desempenho “mais contido” de fevereiro, quando chuvas nas regiões produtoras dificultaram a logística.

De acordo com a Anea, a China foi o principal destino das exportações de algodão do Brasil em março, com compras que representaram 29,5% do volume total. Em seguida vieram Bagladesh (16%), Índia (11,9%), Vietnâ (11,3%), Turquia (10,8%), Paquistão (7,8%), Indonésia (6,5%), Malásia (2,5%) e Egito (2,5%).

A entidade destaca que a China, que recentemente criou uma cota de importação de 300 mil toneladas, seguiu firme na liderança, enquanto a Índia manteve volumes relevantes de encomendas mesmo após ter encerrado seu regime de isenção tarifária especial em dezembro passado. 

“Mais uma vez, nesse turbilhão de tarifas e tratados comerciais globais, o Brasil vai indo bem, porque, apesar de não ter acordo com ninguém, a gente também não briga”, diz Wajs. “Com o crescimento da safra, é fundamental adentrar mais mercados e ampliar o leque de destinos”, afirma o presidente da Anea. Nos nove primeiros meses do atual ano-safra, que começou em julho, as exportações brasileiras superaram em cerca de 150 mil toneladas as vendas de igual período do ciclo anterior.

 

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