A geração de Créditos de Descarbonização (CBios) continua em alta no país, impulsionada sobretudo pelo aumento da demanda por etanol hidratado, que há meses está com preços mais vantajosos que a gasolina nos postos. Segundo dados compilados pela Datagro, foram gerados 7,29 milhões de créditos no primeiro bimestre do ano, 10,4% mais que no mesmo período de 2024.
Segundo a consultoria, a “oferta confortável de créditos de descarbonização deverá prevalecer ao longo do ano de 2025, apesar da recente decisão do governo de congelar a mistura de biodiesel no diesel em 14%, em contraponto ao cronograma inicial de elevar o teor de mistura em 1 ponto percentual a partir deste mês de março para 15%”.
A Datagro estima que a demanda por combustíveis do ciclo Otto (gasolina e etanol hidratado) crescerá 2,2% este ano, e que, no caso do diesel, o incremento será de 2,8%. Assim, projeta uma geração de 42,46 milhões de CBios no ano. Se a projeção for confirmada, a oferta total alcançará 59,01 milhões de créditos, uma vez que os estoques iniciais chegam a 16,55 milhões.
A consultoria realça que o montante estimado é 8,16 milhões de créditos superior à meta geral de 2025 (50,85 milhões), baseada na soma da meta base de 40,39 milhões de créditos com a quantidade que não foi aposentada em 2024 (10,46 milhões). A Datagro esclarece que a projeção leva em consideração a manutenção do percentual de mistura de etanol anidro na gasolina em 27%. “Caso o governo aprove o aumento da mistura para 30% a partir de junho, o superávit de CBios poderá alcançar 9,04 milhões de créditos em 2025”, afirma a Datagro.
Com a oferta elevada, os preços dos CBios estão em queda. Atualmente, destacou a consultoria, cada crédito é negociado, em média, por R$ 72,04 por toneladas de CO2 equivalente, em queda de 27,2% na comparação com o valor praticado há um ano. Diante da expectativa de manutenção da oferta confortável, o espaço para valorizações é pequeno.
Os CBios foram criados no âmbito do Renovabio, política criada para incentivar a emissão de gases de efeito estufa na cadeia produtiva de combustíveis do país. Cada um corresponde a uma tonelada de carbono que deixa de ser emitida. Os créditos podem ser emitidos por produtores e importadores de biocombustíveis, são negociados na B3 e adquiridos por distribuidoras que trabalham com combustíveis fósseis para compensar suas emissões.
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