Grandes frigoríficos ajudam a evitar irregularidades da pecuária na Amazônia Legal

Segundo o MPF, no 2º ciclo unificado de auditorias Minerva, Marfrig e Frigol tiveram índice de conformidade de 100%; JBS melhorou e atingiu 98,2%
Fernando Lopes

Os quatro maiores frigoríficos do país (JBS, Minerva, Marfrig e FriGol) registraram resultados positivos no segundo ciclo unificado de auditorias na cadeia da pecuária na Amazônia Legal, que se espalha por Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. As auditorias realizadas no ciclo 2024/25 envolvem transações fechadas entre empresas e fornecedores de janeiro a dezembro de 2022. 

A iniciativa, do Ministério Público Federal, checa o nível de controle das frigoríficos sobre os animais adquiridos juntos aos pecuaristas da região, conforme acordos firmados entre MPF, setor produtivo e órgãos de fiscalização desde 2009. O objetivo é garantir que a carne vendida no país ou no exterior não tenha origem em áreas com desmatamento ilegal, trabalho escravo, invasões a unidades de conservação e a terras indígenas e quilombolas ou sem regularização ambiental.

Das grandes companhias, o principal destaque continuou a ser a Minerva Foods, que voltou a alcançar 100% de conformidade em suas operações, que na Amazônia Legal estão distribuídas por Pará, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins. “Essa conquista, por mais um ano, reforça o nosso compromisso com o combate ao desmatamento ilegal e a nossa contribuição para o desenvolvimento sustentável na cadeia agropecuária, além de evidenciar a robustez do nosso sistema de monitoramento geoespacial, que é auditado anualmente e se destaca pelos excelentes resultados, diz Tamara Lopes, gerente-executiva de Sustentabilidade da companhia. 

A Minerva lembrou, em nota, que em 2024, seis anos antes do previsto, concluiu o monitoramento de 100% de seus fornecedores diretos de gado em todos os países em que atua na América do Sul, onde é líder das exportações de carne bovina. A empresa também instituiu programas e ferramentas para monitorar os fornecedores indiretos e para requalificar e reinserir em sua cadeia de suprimentos as fazendas que apresentam alguma irregularidade.

A Marfrig, que na Amazônia Legal atua só em Mato Grosso, e a FriGol, que mantém duas unidades no Pará, também obtiveram índices de conformidade de 100%. “O resultado confirma a solidez da nossa estratégia de sustentabilidade. Desde 2009, a companhia mantém compromissos públicos voltados à rastreabilidade dos fornecedores bovinos e foi pioneira na implantação de processos estruturados, bem como no desenvolvimento de tecnologias próprias de rastreamento e geomonitoramento via satélite. Atualmente, rastreamos 100% dos fornecedores diretos em todos os biomas e monitoramos 88,8% dos indiretos na Amazônia e 79,6% no Cerrado — com a meta pública de atingir 100% ainda em 2025”. disse Paulo Pianez, diretor global de sustentabilidade da Marfrig, em nota.

“O resultado coroa o trabalho que temos realizado. Mas sabemos que é preciso evoluir ainda mais. Por isso, concentramos nossos esforços nos últimos anos para o monitoramento de fornecedores diretos em todos os biomas onde atuamos e, agora, estamos focados no monitoramento dos fornecedores indiretos”, afirma Carlos Corrêa, diretor Financeiro & Sustentabilidade da FriGol, em nota. Além de ter controle total sobre os fornecedores diretos, a FriGol monitora desde 2023 100% dos indiretos nível 1 – aqueles que fornecem animais para os diretos.

A JBS, que conta com plantas em cinco Estados da Amazônia Legal, chegou, na média, a 98,2%, 4,4 pontos percentuais a mais do que no primeiro ciclo unificados de auditorias. O melhor resultado da maior empresa de proteínas animais do mundo foi em Rondônia (99,3%), seguido por Mato Grosso (98,2%), Acre (98,1%), Tocantins (98%) e Pará (97%). A maior parte dos problemas encontrados foi referente a documentações. Não fosse por isso, informou a companhia, seu índice de inconformidade cairia de 1,8% para 0,3%.

“Esse desempenho mostra que estamos muito próximos da meta de 100% de conformidade, número que vai refletir todo o empenho da companhia para a produção sustentável na Amazônia. A evolução comprovada neste ciclo comprovou o que dissemos na edição anterior, de que temos clareza sobre como alcançar esse objetivo”, afirma Liège Correia, diretora de Sustentabilidade da JBS Brasil, em nota.

No geral, o índice de inconformidade apurado pelo segundo ciclo unificado de auditorias ficou abaixo de 5%, como no primeiro . Em Mato Grosso, empresas que respondem por 82% dos abates estaduais foram auditadas, enquanto no Pará o índice ficou em 81%, em Tocantins em 73%, em Rondônia em 41%, no Amazonas em 37% e no Acre, em 32%. Antes das assinaturas das TACs da pecuária, o desmatamento da Amazônia chegava a 12 mil quilômetros quadrados por ano. Graças a essas e outras indicativas envolvendo diversos setores da economia, atualmente são entre 6 mil e 7 mil quilômetros quadrados por ano, média ainda bastante elevada.

Ministério confirma foco da doença de Newcastle em granja de perus em Santa Catarina

Propriedade está localizada no município de Itaberaba; parceiros comerciais do Brasil estão sendo notificados

Avanço do milho deverá garantir mais uma safra recorde de grãos no país

Conab prevê colheita total de 367,1 milhões de toneladas neste ciclo 2026/27, 1,4% mais que em 2025/26

Volume das exportações de suco de laranja cresce, mas receita tem forte queda

De julho a setembro, os três primeiros meses desta safra 2026/27, valor dos embarques caiu 34,4% e alcançou US$ 489,7 milhões, segundo a CitrusBR

Resenha NPagro: Brasil em destaque no Dia Mundial da Alimentação

Ana Luci Grizzi analisa cenário para o avanço da produção sustentável no país

NPagro Cast: Biobunker abre nova fronteira para o etanol, com Martinho Ono

Inscreva-se para receber
as notícias gratuitamente

Ao inserir seu e-mail, você concorda em receber a newsletter do NPAgro. Você pode cancelar sua inscrição a qualquer momento

MAIS LIDAS

ESG

Pecuária sustentável: O “green lot” da família Costabeber em São Sepé

Modelo de produção da Fazenda Pulquéria, importante fornecedora da Minerva no Rio Grande do Sul, privilegia bem-estar dos animais e rende bons preços

Economia

Ministério da Fazenda suspende financiamentos do Plano Safra 2024/25

Secretaria do Tesouro enviou ofício às instituições financeiras determinando a suspensão de novas contratações de crédito rural subvencionado

Produção

IBGE confirma abate recorde de 16,9 milhões de fêmeas em 2024

Volume histórico representou 43% de todo abate da pecuária bovina no ano passado e um crescimento de 19% em comparação aos dados de 2023