Indústria ajusta para baixo preços de exportação de soja em grão e farelo

Segundo a Abiove, embarques do segmento como um todo deverão totalizar US$ 57,3 bilhões em 2026, 8,3% mais que no ano passado
Fernando Lopes
(foto: Tony Oliveira/Sistema CNA/Senar)

A piora do cenário para as cotações internacionais da soja em grão e do farelo de soja levou a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) a revisar suas estimativas para a receita das exportações do segmento em 2026. Segundo novas projeções divulgadas na semana passada, a entidade passou a calcular o valor total, incluindo grão, farelo e óleo, em US$ 57,282 bilhões – cerca de US$ 2,7 bilhões a menos que o previsto em dezembro, mas ainda com alta de 8,3% em relação a 2025.

Para o grão, que encabeça os embarques do complexo, a expectativa agora é que o preço médio das vendas alcance US$ 425 por tonelada este ano, ante os US$ 450 previstos em dezembro e os US$ 402 de 2025. A entidade, que reúne grandes empresas como ADM, Amaggi, Bunge, Cargill, Cofco e Louis Dreyfus Company, sustenta que o volume a ser exportado chegará a 111,5 milhões de toneladas, 500 mil a mais que a projeção anterior e com aumento de 3,1% sobre o ano passado, e que a receita atingirá US$ 47,388 bilhões, não mais US$ 50 bilhões. Mesmo assim, o avanço na comparação anual alcança 8,8%.

Para o farelo, a Abiove reduziu a cotação média prevista para 2026 de US$ 365 para US$ 335 a tonelada, ante US$ 340 em 2025. O volume foi mantido em 24,6 milhões de toneladas, com incremento de 5,6% e, com isso, a receita das exportações do derivado passou a ser calculada em US$ 8,241 bilhões, quase US$ 800 milhões a menos que a estimativa de dezembro mas com aumento de 4,1% sobre o ano passado. Na comparação anual, a entidade passou a prever altas de 7,3% para o preço médio das exportações de óleo de soja, para US$ 1.140 a tonelada, de 6,4% para o volume, que poderá alcançar 1,45 milhão de toneladas, e de 14,2% para a receita (US$ 1,653 bilhão).

PROCESSAMENTO

Em nota, a Abiove destacou, também, que o processamento do grão tende a alcançar um novo recorde histórico este ano. O volume está previsto em 61 milhões de toneladas, 2,5 milhões a mais que em 2025, com produção de 47 milhões de toneladas de farelo (+4,2%) e 12,25 milhões de toneladas de óleo (+4,7%). A entidade estima a colheita brasileira de soja nesta safra 2025/26 em 177,1 milhões de toneladas, também a melhor marca da história

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