Indústria eleva projeções para exportações de soja e derivados em 2025 e 2026

Segundo a Abiove, receita dos embarques ainda deverá cair 1,3% este ano, para US$ 53,3 bilhões, mas superar US$ 60 bilhões no próximo
Fernando Lopes
Movimentação de soja em Barcarena, no Pará (foto: Divulgação)

Ajustes para cima nas projeções para os preços médios das exportações de soja em grão, farelo e óleo do país levaram a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) a elevar sua estimativa para a receita dos embarques do segmento como um todo em 2025. E a expectativa da entidade para 2026 é de incremento de volumes e novas valorizações, o que poderá levar o montante total de volta ao patamar de US$ 60 bilhões.

Segundo as novas estimativas da entidade, que representa empresas como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Company e Amaggi, neste ano as exportações deverão somar US$ 53,3 bilhões, cerca de US$ 3 bilhões a mais que o calculado em outubro e valor 1,3% inferior ao de 2024 (US$ 53,9 bilhões). Este é o segundo ano seguido de retrações, mas para 2026 o cenário traçado pela Abiove agora indica reação expressiva, para US$ 60,2 bilhões, quase US$ 5 bilhões a mais que o projetado no mês passado..

Para a soja em grão, o preço médio previsto para 2025 voltou a subir, de US$ 380 para US$ 400, ante US$ 435 no ano passado. O volume das exportações projetado para o ano foi mantido em 109,5 milhões de toneladas, um novo recorde, e, assim, a receita das vendas do produto ao exterior este ano foi elevada de US$ 41,6 bilhões para US$ 43,8 bilhões, 2,1% menos que em 2024.

As indústrias acreditam que o preço médio dos embarques do grão subirá para US$ 450 por toneladas no ano que vem, bem acima dos US$ 415 previstos inicialmente. O volume a ser escoado também deverá aumentar, para 111 milhões de toneladas, e a receita tende a chegar a US$ 50 bilhões. 

Para o farelo, a Abiove continua a prever um volume de embarques de 23,6 milhões de toneladas em 2025, com  aumento de 2% em relação ao ano passado, mas o preço médio projetado voltou a subir, para US$ 340 a tonelada, 18,9% menos que em 2024. A estimativa para a receita das exportações do derivado este ano agora aumentou de US$ 7,3 bilhões para US$ 8 bilhões, 17,5% abaixo de 2024.

Também para o farelo a Abiove passou a estimar uma alta do preço médio dos embarques ainda maior em 2026, para US$ 365 por tonelada. O volume poderá crescer em 1 milhão de toneladas, para 24,6 milhões, e a receita está projetada nesse cenário em US$ 9 bilhões.

Para o óleo, a Abiove prevê embarques de 1,35 milhão de toneladas em 2025 (queda de 1,2% ante 2024), com uma cotação média ajustada de US$ 1.030 para US$ 1.060, acima dos US$ 959 registrados no ano passado. A receita deste ano foi elevada de US$ 1,4 bilhão, com leve alta sobre 2024.

Para 2026, a entidade estima que o preço médio do óleo subirá para US$ 1,100 por tonelada, e que o volume recuará para 1,2 milhão de toneladas, tendo em vista a maior demanda para a produção de biodiesel no mercado doméstico. Com isso, a receita dos embarques do derivado poderá cair para US$ 1,3  bilhão. 

A entidade ajustou sua estimativa para a colheita de soja em grão na safra 2025/26 para 177,7 milhões de toneladas, um novo recorde 3,1% maior que o do ciclo 2024/25 (172,1 milhões). O esmagamento em 2026 está projetado em 60,5 milhões de toneladas, um crescimento 3,4% sobre 2025 (58,5 milhões). As produções de farelo e óleo de soja deverão atingir 46,6 milhões e 12,2 milhões de toneladas, com aumentos de 3,3% e 3,8%, respectivamente, em relação a este ano.

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