JBS encerrou o 2º trimestre do ano com prejuízo líquido de US$ 102 milhões

Ebitda ajustado da companhia caiu 8,1% ante igual intervalo de 2025, e receita líquida cresceu 13,8%
Fernando Lopes

A JBS, maior empresa de proteínas animais do mundo, encerrou o segundo trimestre do ano com prejuízo líquido de US$ 102 milhões, ante lucro de US$ 528 milhões no mesmo período de 2025. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia caiu 8,1%, para US$ 1,257 bilhão, e sua receita líquida cresceu 13,8%, para US$ 23,9 bilhões.

Apesar de a receita líquida ter alcançado um novo recorde trimestral, os resultados continuaram a ser prejudicados pelo difícil cenário no mercado de carne bovina dos Estados Unidos, onde a oferta de gado continua baixa. Mesmo assim, na divisão “Beef North America” a receita cresceu 14,2%, para US$ 7,77 bilhões, e o Ebitda ajustado melhorou: foi negativo em US$ 100 milhões, ante resultado também negativo de US$ 264 milhões entre abril e junho do ano passado.

Com foco na produção de frango e alimentos preparados,, a controlada americana Pilgrim’s Pride registrou quedas de 2,8% da receita líquida, para US$ 4,626 bilhões, e de 47,6% do Ebitda ajustado, para US$ 360 milhões, em boa medida influenciadas por preços menores. Ao mesmo tempo, a divisão “USA Pork” viu sua receita líquida subir 1%, para US$ 2,079 bilhões, e o Ebitda ajustado aumentar 38%, para US$ 184 milhões.

De acordo com os resultados divulgados, a JBS Brasil, que reúne as operações de bovinos da companhia no país, voltou a crescer, embalada pelo desempenho das exportações – que, de maneira geral, permanecem aquecidas. A receita líquida da divisão avançou 28% no segundo trimestre, para US$ 4,585 bilhões (um novo recorde), e o Ebitda ajustado foi 22,1% maior que entre abril e junho de 2025, atingindo US$ 273 milhões.

No caso da Seara, braço brasileiro da JBS nos segmentos de aves, suínos e alimentos processados, a receita líquida trimestral alcançou US$ 2,56 bilhões, em alta de 18,2%, e o Ebitda ajustado diminuiu 5,8%, para US$ 315 milhões. Também aqui as exportações pesaram positivamente, tendo em vista que a demanda global por proteínas produzidas no Brasil segue forte.

Na divisão “Australia”, finalmente, a receita líquida subiu 30%, para US$ 2,656 bilhões, e o Ebitda ajustado caiu 12,8%, para US$ 218 milhões. “O segmento de carne bovina apresentou desempenho sólido nos mercados doméstico e de exportação, enquanto os negócios de suínos, alimentos preparados e salmão contribuíram para um perfil de resultados mais diversificado”, informou a JBS.

A companhia realçou, ainda, que sua alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) encerrou o segundo trimestre de 2026 em 3,1 vezes, com prazo médio da dívida superior a 15 anos e custo médio de 5,7% ao ano. Já o fluxo de caixa livre foi positivo em US$ 130 milhões, com melhora de US$ 185 milhões em relação igual intervalo de 2025

WESLEY BATISTA FILHO SERÁ CEO GLOBAL

Também ontem, pouco antes de anunciar seus resultados trimestrais, a JBS anunciou que Wesley Batista Filho assumirá a cadeira de CEO global de companhia a partir de janeiro de 2027. Ele substituirá Gilberto Tomazoni, que trabalha na empresa há 14 anos e há oito ocupa o cargo.

Wesley Batista Filho (esq.) e Gilberto Tomazoni (foto: Divulgação)

O futuro CEO, filho de Wesley Batista, que controla a JBS em parceria com o irmão Joesley, trabalha na empresa há 15 anos e já exerceu funções importantes como CEO da JBS Brasil, presidente da Seara e CEO da JBS USA, onde está atualmente. Tomazoni, por sua vez, conduzirá o processo de transição e depois se tornará vice-presidente do conselho de administração da companhia. Também continuará como presidente do conselho da Pilgrim’s    

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