Lucro da JBS permaneceu estável no 4º trimestre de 2025 e caiu 6,5% no ano

Resultado líquido da gigante alcançou US$ 2 bilhões de janeiro a dezembro; Ebitda caiu 5%, e receita líquida superou US$ 86 bilhões
Fernando Lopes

A JBS, maior empresa de proteínas animais do mundo, encerrou o quarto trimestre do ano passado com lucro líquido de US$ 415 milhões, cerca de US$ 2 milhões a mais que em igual intervalo de 2024. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado (IFRS) da companhia caiu 7,1%, para US$ 1,715 bilhão, e sua receita líquida aumentou 15%, para US$ 23,063 bilhões.

Com isso, em todo o ano passado o lucro líquido da gigante alcançou US$ 2,024 bilhões, em queda de 6,5% em relação a 2024, o Ebitda ajustado chegou a US$ 6,831 bilhões, com baixa de 5%, e a receita líquida cresceu 11,7%, para US$ 86,184 bilhões. Segundo a empresa, os resultados anuais foram sustentados sobretudo pela controlada americana Pilgrim’s Pride, pela brasileira Seara e pela JBS Australia.

A receita líquida de 2025 voltou a ser liderada pela JBS Beef North America. Nesse divisão, houve incremento de 15,9%, para US$ 28,137 bilhões, um novo recorde. Mas os negócios com carne bovina nos Estados Unidos continuam a sofrer com a escassez de gado no país, onde o rebanho é o menor em 75 anos, e o Ebitda ajustado foi negativo em US$ 319 milhões, ante resultado positivo de US$ 247 milhões em 2024.

No caso da Pilgrim’s, a receita líquida subiu 3,5% no ano passado, para US$ 18,485 bilhões, e o Ebitda ajustado foi de US$ 2,804 bilhões, 3,7% superior ao de 2024. Mais baixos que em anos anteriores, os custos dos grãos continuaram a beneficiar os negócios da empresa de carne de frango, que também contou com demanda aquecida e performance positiva na Europa e no México, onde tem subsidiárias.

Na JBS Brasil, que concentra os negócios da companhia com carne bovina no país, a receita líquida alcançou US$ 15,294 bilhões em 2025, com aumento de 21,5% sobre 2024, e o Ebitda ajustado caiu 1%, para US$ 955 milhões. Com demanda forte no front doméstico e expansão no mercado externo, a Friboi registrou o maior volume de processamento de sua histórica, conforme informações divulgadas pela companhia.

A Seara voltou a avançar no ano passado. Também com custos mais comportados tanto em frango quanto em suínos, a divisão registrou receita líquida de US$ 9,171 bilhões, 4,5% acima de 2024, e Ebitda ajustado de US$ 1,553 bilhões, em alta de 1%. Apesar de restrições temporárias em destinos como China e Europa, a Seara comemorou o maior volume de exportação de sua história.

A receita líquida da JBS USA Pork, que também foi favorecida pelos custos dos grãos, cresceu 3,9%, para US$ 8,431 bilhões, mas o Ebitda ajustado da divisão recuou 16,1%, para US$ 899 milhões. E para a JBS Australia de fato 2025 foi um ano de forte desempenho: a receita líquida aumentou 21,5%, para US$ 8,077 bilhões, e o Ebitda ajustado subiu 37,9%, para US$ 916 milhões.

Ainda conforme a JBS, sua dívida líquida fechou 2025 em US$ 16,32 bilhões, acima dos US$ 13,577 bilhões do fim do ano anterior. Na comparação, a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado) passou de 1,89 vez para 2,39 vezes. Para 2026, um dos principais pontos de atenção será a virada do ciclo da pecuária no Brasil, que também enfrentará um período de oferta mais curta. Os preços dos grãos deverão continuar a favorecer as margens das operações de frangos e suínos, nos EUA e no Brasil.   

DIVIDENDOS

Também ontem, a JBS informou que seu conselho de administração aprovou o pagamento de dividendos no montante de US$ 1 por ação, que serão pagos no dia 17 de junho.

 

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