Lucro líquido da BrasilAgro caiu 74% no 4º trimestre do exercício, para R$ 61,3 milhões

Empresa carregou estoques de soja e agora será beneficiada por prêmios mais elevados; cenário para a safra 2025/26 é positivo
Fernando Lopes
André Guillaumon, CEO da BrasilAgro (foto: Divulgação)

A BrasilAgro, que atua nas áreas de compra e venda de propriedades rurais e de produção de grãos, fibras e bioenergia, encerrou o quarto trimestre de seu exercício 2025, em junho, com lucro líquido de R$ 61,3 milhões, 74% menos que em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Na mesma comparação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da companhia recuou 73%, para R$ 72 milhões, e sua receita líquida diminuiu 34%, para R$ 340,7 milhões.

Em comunicado que acompanha a divulgação dos resultados, a empresa pontua que os resultados foram prejudicados, em parte, por uma reversão de ganhos com derivativos, que passaram de R$ 13,1 milhões, no quarto trimestre do exercício 2024, para uma perda de R$ 3,9 milhões no último quarto do ano-fiscal 2025, explicada, principalmente, por perdas com operações de swap de dívidas. Segundo André Guillaumon, CEO da BrasilAgro, a reversão refletiu, em boa medida, o incremento da taxa de juros, e que o impacto tende a ser anulado.

“Foi um ano de muita volatilidade financeira”, resumiu o executivo, destacando os altos e baixos do dólar e a elevação da taxa básica Selic. Mas houve uma certa estabilidade produtiva, exceto por secas localizadas, na Bahia e no Paraguai. Em todo o exercício 2025, o lucro líquido da BrasilAgro recuou 39%, para R$ 138 milhões, o Ebitda ajustado foi 4% menor (R$ 267,3 milhões) e a receita líquida subiu 5%, para R$ 1,119 bilhão – R$ 877,4 milhões no segmento operacional (+14%) e R$ 241,3 milhões no imobiliário (-18%).

Enquanto a receita líquida operacional permaneceu praticamente estável entre abril e junho (R$ 228,7 milhões), na frente imobiliária houve queda de 61%, para R$ 112 milhões. O último negócio nesse segmento foi a venda de 100% da Fazenda Preferência, localizada em Baianópolis (BA), por R$ 141,4 milhões. Com 17,8 mil hectares, a propriedade estava no portfólio da BrasilAgro há 17 anos. Foi adquirida por R$ 10,7 milhões e recebeu investimentos adicionais de R$ 23,9 milhões, e sua venda rendeu um ganho contábil de R$ 106,7 milhões.

“Com essa transação, o total de vendas de terras nos últimos cinco anos alcançou cerca de R$ 1,9 bilhão, com uma média de R$ 380,4 milhões por ano, reforçando a consistência da nossa estratégia de geração de valor por meio da aquisição, desenvolvimento e comercialização de propriedades rurais”, realçou a empresa. Em 30 de junho, o portfólio da BrasilAgro somava 249,8 mil hectares espalhados por seis Estados brasileiros, Paraguai e Bolívia., com valor de mercado de R$ 3,1 bilhões. De uma área útil total de 188,8 mil hectares, 119,1 mil eram terras próprias e 66,7 mil, arrendadas.

Independente dos rumos dos negócios imobiliários, no qual a companhia prospecta atualmente sobretudo oportunidades de compra, no ramo operacional o cenário é positivo. Segundo Guillaumon, a BrasilAgro está particularmente bem posicionada no mercado de soja, já que carregou estoques para este segundo semestre e viu a estratégia dar certo com o forte aumento dos prêmios do grão nos portos brasileiros. Na safra 2025/26, a área plantada total com soja, milho, algodão, feijão, cana e pasto deverá permanecer estável em cerca de 173 mil hectares. A soja lidera, com 79,3 mil hectares.

“Segundo as previsões meteorológicas, teremos um fenômeno La Niña neutro ou de baixa intensidade, o que é bom para a safra brasileira como um todo. Os custos de produção de soja estão um pouco mais altos, em torno de R$ 4 mil por hectare, mas o dólar pode compensar os produtores e as margens tendem a ficar parecidas com as da última safra. A questão é saber como estará o dólar na venda da produção”, disse o executivo.

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